07 de abril de 2020 - 08:24

Economia

26/03/2020 10:14 GD

'MT não pode expandir restrições', afirma Mauro Mendes

O governador Mauro Mendes admitiu temer uma grande crise econômica causada pela pandemia do coronavírus no país. Durante a reunião entre os 27 governadores sem a presença do presidente Jair Bolsonaro, Mendes afirmou que não poderia expandir as medidas restritivas adotadas por outros estados.

"Tenho muito medo dos reflexos econômicos de todas essas decisões, aos demais governadores ao citar as medidas adotadas pelo estado de São Paulo como a quarentena em cidades de 5 mil habitantes, sem nenhum caso confirmado".

A informação é do site O Antagonista que teve acesso aos áudios da reunião realizada nesta quarta-feira (25) por meio de videoconferência.

O chefe do Poder Executivo mato-grossense também demonstrou a mesma preocupação de Bolsonaro a respeito da economia. Para ele, apenas os servidores públicos estariam seguros por conta dos seus salários.

"Para o servidor público, é fácil: no final do mês, o salário está na conta dele. E como vão ficar as pequenas e as micro-empresas deste país?", questionou, segundo o site.

Mendes também teria criticado Bolsonaro, afirmando que ele gosta do confronto político com os demais poderes e gestores.

"O presidente Bolsonaro gosta do confronto, é lamentável isso. Ele se tornou presidente confrontando todo mundo deste país. Mas precisamos ter serenidade, senão nós vamos fazer da crise da saúde a maior crise econômica e política deste país. Temos que coordenar um pouco mais essas medidas, com critérios técnicos".

Mais cedo, Mendes foi um dos 25 governadores que ignoraram as críticas feitas pelo presidente da República Jair Bolsonaro, que havia criticado governadores e prefeitos por conta do isolamento social praticado em todo o país.

O governador Mauro Mendes (MDB) rebateu o discurso, afirmando que manteria os decretos que determinaram a restrição do convívio social. "Estamos preparando toda a estrutura necessária para atender aos possíveis doentes do coronavírus, disse.

O governador também afirmou que não tem proibido nenhuma atividade econômica essencial, desde que haja devida obediência às regras sanitárias".

 

Reações

Já o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) se disse "perplexo e angustiado" com o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro.

O prefeito afirma que o discurso de Bolsonaro traz mais insegurança do que solução. "Eu respeito a visão, mas defendo um diálogo maior. A OMS aponta uma direção e o presidente vai por outra. Isso deixa a população insegura, as autoridades ficam perplexas mas nós vamos seguir os protocolos de segurança para evitar a disseminação do coronavírus, disse Emanuel

Segundo Pinheiro, a gestão continua determinada a cuidar e proteger a população cuiabana. Momentaneamente, a situação é muito grave. Eu não gostaria de fazer restrição nenhuma, não proibir comércio, não vetar o transporte público, mas agora o que está em risco é a saúde da população, principalmente dos grupos de risco (idosos)", afirmou.

Já o presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (DEM), classificou o pronunciamento de Bolsonaro como infeliz. "Ele foi infeliz ao criticar os governadores e prefeitos, e também por amenizar o vírus. Isso não é uma gripezinha e temos estar atentos", pontuou.

O procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges, emitiu nota afirmando que o presidente teria sido inconsequente em declarações que podem colocar em risco a vida dos brasileiros.

"Mais que isso, coloca em risco a vida de milhares de brasileiros ao propor o relaxamento do isolamento social, única medida que se mostrou, até o momento, efetivamente eficaz no combate à proliferação do coronavírus".

Ele lembrou que o isolamento social é uma das orientações e ações do Ministério da Saúde e da comunidade científica nacional e internacional, especificamente pelos médicos infectologistas, maiores autoridades no assunto. Não se trata, portanto, de nenhuma gripezinha. Precisamos ter muita responsabilidade neste momento, afirmou.

Já o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Carlos Alberto, evitou polemizar, mas disse que o judiciário seguirá cumprindo sua missão e as normas traçadas excepcionalmente para este momento, produzindo normalmente no teletrabalho, cuja produtividade não sofreu queda.

 

Bancada federal

Parte da bancada federal de Mato Grosso se manifestou discordando do presidente.

A primeira a se manifestar foi a deputada federal Rosa Neide (PT) pelas redes sociais. A parlamentar questionou a sanidade mental de Bolsonaro e defendeu a sua interdição. "Não há panelas que resolvam! O presidente precisa ser interditado!!!", escreveu em sua página no Twitter.

"Bolsonaro não faz nada sem calcular, qual a projeção dele quando fez o pronunciamento de ontem? Quanto custa morrer um pobre, especialmente idoso no Brasil ? Quanto custa ficar em quarentena para controlar o vírus ? Que morram e deixem a economia seguir!!!", completou a oposicionista.

Já o deputado Carlos Bezerra (MDB) disse que o discurso do presidente é irracional e que ele não teria preparo para governar o país. "Os demais poderes terão que assumir a responsabilidade com o Brasil. Ele foi contra o que a OMS prega e o que o próprio Ministério da Saúde vem fazendo", afirmou.

Sobre um possível pedido de impeachment, o emedebista diz que o próprio presidente tem agido para isso. "Ele vem adotando discursos com esse intuito. Pelo menos é o que parece", finaliza.

O bolsonarista Nelson Barbudo (PSL) preferiu não criticar o presidente e disse que o momento é difícil e de pressão em cima do governo. "O momento é de união. Devemos preservar as pessoas que estão na faixa de risco. Agora, o presidente também está preocupado com a economia que pode levar a uma crise sem precedentes", disse.

Já o deputado Leonardo Albuquerque também preferiu não criticar o presidente. "Como médico eu fico preocupado com a pandemia porque é uma doença nova. Por outro lado, o presidente se diz preocupado com a economia", explica. "Mas o discurso foi na contramão da OMS. Parece que o governo está mais preocupado com a economia do que com a vida das pessoas", pontuou.

O líder da bancada federal de Mato Grosso, deputado federal Neri Geller (PP), disse que não entrará na polêmica com o presidente, mas defende que o país continue seguindo as orientações da OMS. "Escolas, isolamento das pessoas, tem que ser feito, mas com responsabilidade. No caso do comércio, é preciso manter aberto com os cuidados definidos, como a não aglomeração, álcool em gel para todos. Porque a econômia não pode parar", defendeu.

Para o senador Jayme Campos (DEM), o presidente Bolsonaro não agiu corretamente ao criticar as medidas adotadas pelos governadores. "Ele foi na contramão do próprio governo e do que a OMS prega", afirmou.

No entanto, o senador disse que a situação econômica também deve ser levada em consideração e é preciso adotar medidas para se evitar uma crise econômica.

Jayme também criticou o fato do presidente estar levando o debate para o lado pessoal e que o mesmo não está levando a sério o coronavírus. "Ele precisa agir como um estadista e parar de levar para o pessoal. Ele tem que liderar esse processo, disse".

O senador Wellington Fagundes (PL) acredita que o governo vem mantendo uma divergência dentro da própria gestão, e que isso ficou claro no pronunciamento desta terça-feira (24). "A equipe técnica do governo aponta para uma direção, já a outra vai pro outro lado. Isso é ruim para o país. Eles não conseguem ter a mesma linguagem. Isso fica mais claro nas votações aqui da Casa", explicou. Fagundes diz que entende a importância da economia, porém, salvar vidas é a prioridade do momento.

A reportagem não conseguiu falar com os deputados Juarez Costa (MDB), Emanuel Neto (PTB) e José Medeiros (Podemos). Mas pelas redes sociais, Medeiros postou várias críticas a parlamentares que estavam condenando o presidente da República. A senadora cassada Selma Arruda (Podemos) também não foi localizada.


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