08 de outubro de 2026

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Brasil vende menos carne, mas preços altos mantêm faturamento elevado

Agronegócio Exportação 08/10/2026 11:17 Hildeberto Jr. / Canal Rural canalrural.com.br

A queda nas exportações de carne bovina para a China não prejudicou o bolso dos produtores brasileiros. Com preços internacionais em alta e novas vendas para EUA e Chile, a receita totalizou US$ 14,17 bilhões em nove meses, um crescimento de 14,1%.

As exportações brasileiras de carne bovina perderam ritmo em setembro, mas os preços elevados da proteína no mercado internacional continuam sustentando o faturamento dos frigoríficos exportadores.

Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o volume embarcado caiu 1,4% em relação a agosto, enquanto a receita cresceu 1,3% no mesmo período.

  • Os preços altos no exterior compensaram a redução do volume exportado em setembro.
  • A China comprou 93,2% a menos de carne brasileira em setembro na comparação anual.
  • EUA importaram 48,3 mil toneladas, um salto de 389% frente a 2025.
  • O Chile registrou alta de 87,2% nas importações da proteína nacional.
  • No acumulado de 9 meses, a receita das exportações subiu 14,1%, atingindo US$ 14,17 bilhões.

Preços compensam queda de volume

O resultado indica que a valorização da carne bovina brasileira no exterior compensou a redução dos embarques. De acordo com o Cepea, os preços recebidos pela proteína seguem em patamares elevados, contribuindo para a manutenção das receitas mesmo diante de um cenário de menor volume comercializado.

Queda nas vendas para a China pressiona exportações

A retração dos embarques em setembro foi influenciada principalmente pela forte redução das vendas para a China, maior compradora da carne bovina brasileira.

Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil exportou 229,3 mil toneladas de carne bovina em setembro, queda de 35,1% em relação ao mesmo mês de 2025. A receita totalizou US$ 1,38 bilhão, recuo de 27,6% na comparação anual.

O mercado chinês recebeu apenas 12,9 mil toneladas da proteína brasileira no mês, volume 93,2% inferior ao registrado em setembro do ano passado. A queda está relacionada às restrições comerciais impostas pela China, que estabeleceu cotas de importação e tarifas adicionais para volumes que ultrapassam os limites definidos.

Novos mercados ampliam compras

Apesar do recuo nas vendas para a China, outros mercados ampliaram as compras de carne bovina brasileira. Os Estados Unidos importaram 48,3 mil toneladas em setembro, crescimento de 389% em relação ao mesmo mês de 2025. O faturamento com as vendas aos norte-americanos chegou a US$ 313,8 milhões.

O Chile também registrou crescimento expressivo, com 19,4 mil toneladas importadas, alta de 87,2%. A Rússia comprou 13,1 mil toneladas, aumento de 20,5% na comparação anual.

A ampliação das vendas para esses destinos ajudou a amenizar os efeitos da retração chinesa, embora os novos volumes ainda não tenham sido suficientes para substituir integralmente a demanda da China.

Desempenho no acumulado do ano

A valorização da carne bovina brasileira no exterior também aparece nos resultados acumulados do ano. Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas da proteína, volume 0,5% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.

Em contrapartida, a receita alcançou US$ 14,17 bilhões, crescimento de 14,1% na comparação anual, segundo a Abiec. Os números mostram que, mesmo diante das restrições comerciais e da redução recente dos embarques, os preços mais elevados continuam contribuindo para o faturamento das exportações brasileiras de carne bovina.


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