O dólar começou o dia em queda, mas mudou de direção e passou a subir depois que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que não há previsão de anúncios de medidas fiscais nos próximos dias. O mercado também acompanhou a Selic mantida em 13,75% ao ano e dados fracos da indústria.
O dólar começou o dia caindo nesta quinta-feira (5), mas mudou de direção e passou a subir no mercado à vista. A virada aconteceu depois que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, falou sobre a agenda fiscal o conjunto de decisões do governo sobre gastos e arrecadação. Segundo ele, não há previsão de anúncios de medidas nos próximos dias, mas novas informações podem ser divulgadas após o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva da viagem à COP. O movimento ocorreu em um cenário de juros altos e expectativas de inflação desancoradas, ou seja, quando o mercado não confia que a inflação vai ficar dentro da meta.
Há pouco, o dólar à vista avançava 0,18%, cotado a R$ 5,4617. Já o contrato futuro para dezembro subia 0,04%, a R$ 5,4880.
- O dólar virou para cima depois que Dario Durigan falou sobre medidas fiscais.
- O dólar à vista subia 0,18%, a R$ 5,4617, enquanto o contrato futuro para dezembro avançava 0,04%, a R$ 5,4880.
- O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano na véspera, sem indicar o que fará com os juros adiante.
- A produção industrial caiu 0,8% em setembro ante agosto e recuou 2,5% na comparação anual.
- O Banco da Inglaterra elevou os juros em 0,25 ponto percentual, para 4% ao ano.
O que mudou no mercado
Mais cedo, a moeda americana havia recuado diante do real. O movimento acompanhou a fraqueza do dólar no exterior e a reação moderada do mercado à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano na véspera. A decisão veio sem indicação sobre a trajetória futura da política monetária.
Durigan afirmou que o governo deve criar condições para uma queda estrutural e sustentável dos juros, que classificou como elevados e prejudiciais à economia. Ele também apontou a falta de segurança fiscal como um dos fatores de desancoragem das expectativas de inflação.
Na tentativa de sinalizar compromisso com as contas públicas, Lula fará um pronunciamento à nação no domingo com mensagem de responsabilidade fiscal no quarto mandato.
Indústria e juros no exterior
No cenário doméstico, a produção industrial caiu 0,8% em setembro ante agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação anual, o recuo foi de 2,5%. No acumulado de 2026, a indústria registra alta de 0,4% e, em 12 meses, avanço de 0,2%. O resultado mensal ficou próximo do piso das projeções do mercado, que apontavam queda de 0,9%.
No exterior, o Banco da Inglaterra (BOE) elevou sua taxa básica em 25 pontos-base, para 4% ao ano. A decisão encerrou uma sequência de seis reuniões sem mudança nos juros.
A sessão desta quinta-feira passou a refletir a combinação entre incerteza fiscal, manutenção da Selic em 13,75% ao ano e sinais do ambiente externo, com o dólar em alta no mercado doméstico após a inversão do movimento inicial.


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