O Instituto Padre Haroldo, de Campinas, inicia um programa que transforma o lixo em recursos úteis, reduzindo resíduos e integrando educação ambiental à sua missão social.
O Instituto Padre Haroldo (IPH), de Campinas, começa uma nova fase em sua dedicação à responsabilidade social e ambiental. A organização lança oficialmente o Programa Lixo Zero, uma iniciativa que vai além de apenas coletar lixo. O objetivo é mudar a cultura da instituição, mostrando que grupos sociais também podem criar soluções ambientais importantes.
Localizado em uma área de preservação da natureza, o Instituto sempre procurou viver em harmonia com o meio ambiente. Agora, esse compromisso vira um programa permanente que junta educação ambiental, reciclagem, compostagem e a destinação correta de resíduos, envolvendo funcionários, acolhidos, voluntários, parceiros e visitantes.
- O foco é separar o lixo em três grupos: recicláveis, orgânicos e rejeitos.
- Os recicláveis são triados no local e vendidos ou doados a cooperativas.
- Os restos de comida viram adubo para as hortas da própria instituição.
- Há destinação especial para pilhas, baterias, eletrônicos e medicamentos.
- O projeto busca reduzir o envio de resíduos aos aterros sanitários.
A ideia central é simples, mas com grande impacto: parar de ver tudo como lixo e começar a enxergar cada resíduo como um recurso útil. A expectativa é diminuir bastante a quantidade de materiais que vão para os aterros sanitários e fortalecer práticas de economia circular dentro da instituição.
O programa cria um novo modelo de gestão, dividido em três categorias: recicláveis, resíduos orgânicos e rejeitos. Os materiais recicláveis passam por uma central de triagem instalada no próprio Instituto, antes de serem vendidos ou enviados para cooperativas de reciclagem. Os resíduos orgânicos seguem para a compostagem, onde viram adubo usado nas hortas, jardins e áreas verdes da instituição, fechando o ciclo sustentável. Itens especiais, como pilhas, baterias, eletrônicos, medicamentos, lâmpadas e óleos, também recebem destinação ambientalmente adequada.
Como o projeto foi estruturado
O programa iniciou com a criação de um comitê dedicado ao Lixo Zero para planejar e testar novas soluções. Em março de 2025, foi implantada a gestão de resíduos orgânicos na Fazenda, área rural onde ocorre o programa de Recuperação de Homens. Em seguida, começou a construção da Central de Triagem de resíduos sólidos na sede da instituição.
Além de montar a infraestrutura, o Programa Lixo Zero prevê ações constantes de conscientização e educação ambiental. O objetivo é estimular mudanças de comportamento e hábitos de consumo mais responsáveis entre todas as pessoas que circulam pelo Instituto. Como exemplo, em agosto o IPH iniciou uma campanha de mobilização que culminou com uma atividade artística chamada Integrarte.
No Instituto Padre Haroldo, acreditamos que cuidar das pessoas e cuidar do meio ambiente são compromissos inseparáveis, afirma Lúcia Decot Sdoia, presidente da instituição. O Programa Lixo Zero representa esta visão: transformar atitudes, promover educação ambiental e mostrar que organizações sociais também podem liderar pelo exemplo. Gostaríamos de inspirar outras instituições a perceberem que sustentabilidade não é um custo, mas um investimento no futuro das pessoas e da sociedade.
Compromisso com a transformação social
Mais do que apresentar um novo projeto, o Instituto quer compartilhar sua experiência. A intenção é incentivar outras organizações da sociedade civil, entidades assistenciais, empresas e instituições públicas a adotarem iniciativas semelhantes, unindo os impactos sociais aos ambientais.
Todas essas ações integram o programa socioambiental do IPH, que ganhou força com a instalação de uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) na Fazenda e de usinas de energia fotovoltaica na Fazenda e na sede da instituição, fechando o ciclo com o Lixo Zero e a implantação das hortas.
Fundado em 1978 por inspiração do jesuíta Padre Haroldo Rahm, o Instituto Padre Haroldo consolidou-se como uma das mais importantes organizações sociais da Região Metropolitana de Campinas. Ao longo de quase cinco décadas, ampliou sua atuação muito além do acolhimento e assistência a pessoas com problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas, passando a atender também adições às telas e aos jogos, desenvolvendo programas de prevenção, assistência social, saúde, acolhimento institucional, inclusão produtiva e social.
Atualmente, o Instituto mantém 17 serviços voltados a gestantes, bebês, crianças, adolescentes, jovens e adultos socialmente vulnerabilizados, beneficiando cerca de 20 mil pessoas por ano. Sua atuação é reconhecida pela promoção de oportunidades que transformam vidas e pela defesa da cidadania.


Programa estabelece um novo modelo de gerenciamento de resíduos, baseado na separação em três categorias: recicláveis, resíduos orgânicos e rejeitos. Fotos: Divulgação



