A Faculdade de Educação da Unicamp disponibilizou um vídeo com audiodescrição, legendas e Libras para apresentar a obra 'Aquilombar a Universidade'. O mural, pintado pela artista Sabrina Savani, celebra os dez anos da luta por cotas étnico-raciais na universidade, marcando uma virada histórica na democratização do ensino superior.
A Comunicação Institucional da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp acabou de disponibilizar um vídeo acessível do mural Aquilombar a Universidade: 10 anos de lutas por cotas na Unicamp. A equipe realizou um trabalho minucioso de acessibilidade na obra, incluindo audiodescrição detalhada da pintura, legendas e tradução em Libras. O objetivo é universalizar a mensagem da arte para todas as pessoas, com foco especial na inclusão de pessoas com deficiência visual. O vídeo também traz um contexto histórico e artístico sobre a iniciativa. A estreia ocorreu na terça-feira, dia 29, no canal oficial da FE/Unicamp no YouTube.
- O mural foi inaugurado em 29 de maio de 2016, durante a ocupação da Faculdade de Educação por estudantes que exigiam cotas raciais.
- A artista visual Sabrina Savani pintou o painel com a ajuda de Edivaldo de Sena; ela participa ativamente das mobilizações desde 2016.
- Antes das cotas, negros e indígenas eram cerca de 13% dos alunos; hoje, são aproximadamente um terço dos ingressantes.
- Todo ano, cerca de 100 estudantes indígenas entram pela universidade por meio do Vestibular Indígena.
- Nos programas de pós-graduação, 76 cursos (90% do total) possuem políticas afirmativas de ingresso.
A artista visual Sabrina Savani pintou o painel com a assistência de Edivaldo de Sena. A obra foi inaugurada em 29 de maio, no Salão Nobre da FE. Savani participou ativamente das mobilizações de 2016. Naquele ano, a partir de março, estudantes organizados na Frente Pró-Cotas fizeram greve e ocuparam a Faculdade de Educação para exigir cotas étnico-raciais. A universidade aprovou as cotas raciais no ano seguinte, em 2017.
Depoimentos e dados históricos
No vídeo, Savani fala sobre a concepção do mural e o processo de pintura. A produção também reúne depoimentos de Adana Delgado, Alu L. Vieira, Bruno Nzinga, José Victor Alves da Silva e Simion Cruz, que vinculam a obra à história recente da universidade. Na inauguração do painel, o diretor da Comvest, José Alves de Freitas Neto, apresentou dados importantes sobre as mudanças ocorridas na universidade nos últimos dez anos.
"Antes das cotas, estudantes pretos, pardos e indígenas eram de 13% a 14% do total de alunos. Hoje são cerca de um terço dos ingressantes. Por ano, perto de 100 estudantes indígenas entram na Unicamp pelo Vestibular Indígena. Na pós-graduação, 76 programas, cerca de 90% do total, têm políticas afirmativas."
O projeto foi realizado com recursos do Edital DCult de Seleção de Projetos de Arte e Cultura 2025/2026, da Diretoria de Cultura da Unicamp. As imagens de arquivo são do Núcleo de Consciência Negra da Unicamp. As fotografias são de Antoninho Perri (SEC Unicamp), Antonio Scarpinetti, Julie Dorrico e Raphaela Kennedy. A equipe agradece também a Robson Bonfim Sampaio, ao Núcleo de Consciência Negra da Unicamp, ao Coletivo Anticapacitista Adriana Dias, ao Coletivo de Acadêmicos Indígenas da Unicamp, ao Núcleo de Consciência Trans da Unicamp e a todos os funcionários e colaboradores da FE.
Localização da obra
O mural pode ser visto no Salão Nobre da Faculdade de Educação da Unicamp, localizado na Cidade Universitária Zeferino Vaz, em Campinas.


Faculdade de Educação lança vídeo acessível do mural Aquilombar a Universidade: 10 anos de lutas por cotas na Unicamp. Foto: Reprodução


