30 de outubro de 2026

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Jovem aprovado em Medicina após viralizar rezando mantém fé na USP

Educação Fé 30/10/2026 10:12 Eduarda Barradas, g1 PI g1.globo.com Ribeirão Preto SP

Gustavo Medeiros, de 18 anos, foi aprovado em três universidades públicas e agora estuda na USP. Mesmo longe da família, ele mantém a rotina de rezar o terço diariamente, afirmando que a fé é fundamental para sustentar sua dedicação aos estudos.

Gustavo Medeiros, de 18 anos, que ganhou fama nas redes sociais por estudar para o Enem rezando o terço todos os dias, continua mantendo essa rotina de fé agora que está no ensino superior. Atualmente, ele cursa o segundo período de Medicina na Universidade de São Paulo (USP) e afirmou que a prática religiosa continua sendo essencial para o seu equilíbrio.

O jovem, natural do Piauí, foi aprovado em três instituições públicas em janeiro deste ano: na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na Universidade Federal do Piauí (UFPI) e na USP. Escolheu a USP para iniciar a graduação, precisando se readaptar completamente à vida universitária e ao novo estado.

  • Ele mora em um pensionato com cerca de 20 pessoas em Ribeirão Preto, a mais de 1.800 km de casa.
  • Apresentou um trabalho científico sobre infarto e frio em congresso de cardiogeriatria.
  • Dedica até 3 horas diárias aos estudos fora da sala de aula.
  • Foi convidado para participar da Opus Dei, estrutura que une fé e trabalho.
  • Estuda com base na flexibilidade da rotina, caminhando e rezando entre uma aula e outra.

Desafios da adaptação longe de casa

A mudança para Ribeirão Preto (SP) trouxe grandes dificuldades. Gustavo contou que precisou reorganizar sua vida, pois não tem mais um carro para se deslocar e enfrenta horários de aula diferentes e uma cultura local distinta. Ele destaca a necessidade de flexibilidade para organizar o tempo de estudo, que é intenso devido à carga horária do curso.

"Tive que reinventar a minha rotina. Não tenho mais um carro pra me levar, as aulas têm horário diferente, não tem mais aquele horário rígido, as pessoas têm uma cultura diferente. Você tem que ser muito flexível em relação à rotina pra você ir se adequando e organizando os horários que você tem pra estudar, porque é muita coisa", afirmou Gustavo.

Apesar do desafio de viver sem a família por perto, a distância geográfica não afastou Gustavo de sua prática religiosa. Ele continua rezando o terço diariamente, muitas vezes durante as caminhadas que faz dentro do campus universitário de um lugar para outro. Ele explica que utiliza esses intervalos de 10 ou 15 minutos para rezar partes do terço, chegando em casa com a oração quase terminada.

Conquistas acadêmicas no primeiro ano

Mesmo no início da graduação, Gustavo já obtém reconhecimento no meio acadêmico. Em agosto, ele participou do Congresso Brasileiro de Cardiogeriatria, em São Paulo, onde apresentou um trabalho científico. O estudo focou na relação entre temperaturas baixas e o risco de infarto, uma hipótese surgida da sua percepção sobre o frio na capital paulista.

A ideia da pesquisa nasceu da comparação entre o clima de São Paulo e o de Teresina (PI). Gustavo relatou que, ao sentir muito frio durante o inverno, começou a questionar se isso representava um risco cardiovascular. Após pesquisar, ele elaborou um resumo e submeteu o trabalho, que foi aceito para apresentação.

"A temperatura aqui varia bastante. [...] Durante o inverno, eu tava sentindo muito frio. Eu comecei a pensar que isso pode representar um risco de infarto. Pensei 'cara, será que tem sentido isso'. Aí, eu fui pesquisar um pouco, fiz um resumo e submeti", explicou o estudante.

Em termos de dedicação, a rotina mudou. Durante a preparação para o vestibular, ele estudava cerca de seis horas por dia. Na universidade, esse tempo fora da sala é reduzido para até três horas diárias, dependendo da agenda de aulas. "Às vezes eu tenho um dia todo cheio de aula e não dá nem pra estudar direito", relatou.

Fé como pilar da rotina universitária

Gustavo ainda não definiu qual especialidade médica seguirá, pois está na fase básica do curso, estudando todos os sistemas do corpo humano. Para ele, a incerteza é natural, mas a fé serve de âncora. Ele ganhou destaque ao defender que a religião deve acompanhar momentos de intenso esforço intelectual.

"Alguns entendem que a fé deve ser deixada de lado em momentos de estudo mais intenso, mas digo que isso não é verdade. Mais do que nunca, é a fé que vai te sustentar e botar nos eixos", ressaltou ao g1.

O estudante participa de missas dominicais em uma paróquia de Ribeirão Preto e foi convidado para integrar a Opus Dei, uma estrutura da Igreja Católica que incentiva a vivência da fé no cotidiano, inclusive no ambiente de trabalho e estudos. Para Gustavo, essa integração permite conciliar sua vocação religiosa com a exigência do curso de Medicina.


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