Iniciativa do Instituto de Identificação de MT revisou casos antigos no IML de Cuiabá usando biometria e papiloscopia, identificando vítimas não nomeadas e devolvendo a paz a dezenas de famílias. O projeto é finalista do Prêmio Innovare.
O projeto mato-grossense "Lembre de Mim", desenvolvido pelo Instituto de Identificação da Politec-MT, foi anunciado nesta segunda-feira (5) como finalista do Prêmio Innovare. A iniciativa tem como foco principal identificar pessoas que faleceram sem serem identificadas, devolvendo seus nomes e histórias para as famílias.
Em atividade desde novembro de 2024, a ação revisa casos antigos guardados no Instituto Médico Legal (IML) de Cuiabá. A equipe utiliza tecnologias biométricas avançadas e técnicas de necropapiloscopia para analisar registros que permaneciam arquivados sem uma metodologia clara de reanálise.
- 130 casos revisados no primeiro ano de funcionamento do projeto.
- 60 pessoas identificadas, alcançando uma taxa de sucesso de 46,2%.
- 32 famílias localizadas, permitindo que parentes soubessem o paradeiro de seus entes.
- O tempo médio para chegar à identificação foi de 13 dias.
- O reconhecimento como finalista ocorreu na categoria Justiça e Cidadania da 23ª edição do prêmio.
Método técnico e organização do trabalho
Para garantir a eficácia, a equipe integrou técnicas de necropapiloscopia, que consiste na obtenção de impressões digitais de corpos sem vida, e tecnologias biométricas modernas. Entre as ferramentas utilizadas, estão sistemas automatizados de identificação por impressões digitais e reconhecimento facial. A tecnologia permite comparar os registros disponíveis com grandes bases de dados biométricos nacionais.
Além da tecnologia, a criação de Procedimentos Operacionais Padronizados (POPs) foi essencial. Segundo os responsáveis, esses protocolos ajudaram a organizar as etapas do trabalho, reduzir erros e evitar retrabalhos, tornando o processo de identificação significativamente mais rápido e eficiente.
Resultados concretos em um ano
Em um ano de execução, o projeto revisou 130 casos e conseguiu identificar 60 pessoas. Esse resultado representa uma taxa de identificação de 46,2%, um número considerado alto para casos complexos e antigos. A iniciativa é coordenada por uma equipe de papiloscopistas, incluindo Simone Mariana Delgado, André Silva, André Lopes Ruiz Talhari, Alexandre Silva Brasil, Andrea Ferreira de Oliveira, Larissa Nascimento Ribeiro, Joselaine Duarte Gonzaga e Wellington Alves de Barros, além dos técnicos em necrópsia Lowrrayny Franchesca de Paula e Valter Ferrari Castro.
Para Simone, a chegada à final do prêmio é motivo de profundo orgulho e felicidade. Ela destaca que, além do reconhecimento profissional, a indicação permite ampliar o alcance do projeto e dar mais visibilidade à causa das pessoas desaparecidas, um problema que afeta muitas famílias brasileiras.
"Em apenas um ano de projeto, nós revisamos 130 casos de pessoas falecidas não identificadas, que já haviam sido sepultadas em cemitérios públicos, e conseguimos identificar 60 pessoas. Localizamos 32 famílias. Mais que números, são dezenas de famílias, pais, mães, irmãos, filhos, tios, tias, que finalmente tiveram respostas sobre o paradeiro de seus entes desaparecidos", contou Simone.
Outros projetos de Mato Grosso no radar
Além do "Lembre de Mim", a Expedição Justiça Sem Fronteiras, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), também foi escolhida como finalista, desta vez na categoria Tribunal. Essa iniciativa leva serviços de justiça, saúde, cidadania, educação, cultura e assistência social a comunidades em situação de vulnerabilidade.
Coordenado pela Justiça Comunitária, o projeto atua de forma itinerante e reúne diferentes instituições para facilitar o acesso a serviços essenciais. A iniciativa também atende populações indígenas e busca reduzir barreiras geográficas e estruturais que dificultam o acesso a direitos fundamentais. A premiação do Prêmio Innovare está marcada para o dia 3 de dezembro de 2026.


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