15 de outubro de 2026

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Educadores transformam a realidade em escola de periferia de Campinas

GERAL Educação 15/10/2026 12:07 Eliana Nunes da Silva, Hora Campinas horacampinas.com.br Campinas SP

Uma creche no Jardim Itaguaçu, bairro de rua de terra em Campinas, funciona como um oásis cultural e educativo. Professores, muitos deles enfrentando desafios familiares e trabalhistas, usam artesanato, literatura e acolhimento para formar cidadãos e combater a violência doméstica e o racismo nas comunidades mais vulneráveis.

Ministrei palestra no último dia do mês de setembro no Centro de Educação Infantil Espaço do Amanhã Rosângela de Assis, no Jardim Itaguaçu, região do bairro Campo Belo em Campinas, sobre o meu artigo publicado no Hora Campinas, A violência vicária contra a mulher. O bairro fica situado numa área de assentamento urbano popular, num cenário que impressiona pela característica rudimentar de suas ruas de terra e construções edificadas com poucos recursos.

Em minha visita observei que, em meio às casas simples, surgem na paisagem pequenos comércios, portinhas com alguma venda ou serviço e feira em área aberta. Diariamente, adolescentes e crianças vão sozinhos ou em grupo para a escola e pais buscam os filhos na creche. Mocinhas caminham juntas no trajeto da escola, algumas com o cabelo cor-de-rosa. Meninos grandes param a bicicleta e formam uma roda de conversa. Em ruas ou avenidas principais, pavimentadas, nota-se um comércio instalado e equipado com algumas lojas grandes.

  • Localização: Jardim Itaguaçu, região de Campo Belo, Campinas (SP).
  • Contexto: Bairro com ruas de terra e infraestrutura precária.
  • Figura central: Eliana Nunes da Silva, doutora em Educação pela Unicamp.
  • Tema central: O papel dos professores como semeadores de cultura em contextos áridos.
  • Desafios: Violência doméstica, racismo e precarização do trabalho docente.

Na palestra com os professores constatei a presença de um profissional homem, bastante comprometido com a educação. A presença do homem na creche nem sempre é pacífica: há comunidades que resistem ao verem o gênero masculino como ameaça às crianças. Os professores e as gestoras vêm de diferentes lugares do Brasil e alguns relataram experiências de machismo na família. Os docentes afirmaram que é comum alunos narrarem que o pai bate na mãe.

Artesanato e natureza como ferramentas de aprendizado

Fatos24horas

Em grupo fizemos a dinâmica agora a Educação mete a colher (segurando a colher rosa): todos consideram importante a escola trabalhar o tema violência contra a mulher. Justificam que a violência doméstica é uma realidade muito presente nas famílias daquela comunidade periférica, de trabalhadores, constituída de migrantes, muitos vindos do nordeste.

A escola como oásis social e cultural

Em seu ambiente a escola é cheia de artesanatos, peças em crochê, pinturas, elementos da natureza como material de arte, como folhas, galhos etc. Tem uma horta com verduras viçosas. Muitos bonecos e bonecas de pano e bonecas étnicas para trabalhar a educação antirracista. Estão à mostra trabalhos de educação ambiental e literatura. Há plantas, redário, casa de boneca. Em contexto árido de uma geografia da pobreza, estigma, exclusão, violência e falta de ações do Estado, esta creche representa um bem social para a comunidade, onde as crianças pequenas aprendem as primeiras lições de cidadania.

Quando a política pública chega nas áreas mais remotas da cidade, na metrópole, pequenos milagres podem acontecer. A creche do Itaguaçu em Campinas, como um oásis, é um espaço que, por si só, já é educativo. Uma instituição cheia de espaços culturais que educa toda a comunidade com seu currículo, ao promover o desenvolvimento de potencialidades e autoestima que ajudem no enfrentamento de adversidades e violações.

Dedicação e esperança em meio à precarização

Em cenário inóspito e ao mesmo tempo generoso, os profissionais são motivados, os professores são alegres e esperançosos com o futuro das crianças, e os especialistas da educação acompanham e apoiam com dedicação.

No CEI Rosângela de Assis prevalece um clima comunitário de vivência e cultura periférica: acolhimento, cuidado, e protagonismo de mulheres. E também de aceitação e resignação diante da política cogerida que estabelece uma condição trabalhista com carga horária maior e remuneração menor que os dos servidores das escolas geridas exclusivamente pelo Poder Público.

Nas diferentes experiências profissionais na Educação da cidade, os professores precisam ser valorizados como semeadores de cultura!

Eliana Nunes da Silva, pedagoga, supervisora educacional, é doutora em Educação pela Unicamp.


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