Estudantes de uma faculdade particular em Maringá, no Paraná, foram expulsos depois de usar mensagens ofensivas e referências ao nazismo para atacar colegas bolsistas. Caso foi denunciado ao Ministério Público Federal
Mensagens ofensivas após as eleições
Alunos do curso de Medicina que praticaram ataques verbais contra estudantes bolsistas foram expulsos de uma faculdade particular em Maringá, no Norte do Paraná. Os ataques acontecem em um grupo de mensagens de WhatsApp durante o curso.
As ofensas foram enviadas logo após o resultado das Eleições de 2026, quando Lula foi reeleito presidente do Brasil.
Lula foi reeleito no segundo turno das eleições de 2026 para o cargo de presidente do Brasil, segundo o g1. Em seguida, os estudantes iniciaram uma disputa entre colegas na faculdade.
Um estudante sugere que quem paga a faculdade é diferente de quem ganha bolsa. Ele compara quem tem dinheiro para pagar a mensalidade com quem ganhou a vaga por meio de programas sociais.
Mensagens ofensivas
"Quem paga trabalhou e tem mil e quinhentos reais por mês para pagar... quem passou numa provinha", escreveu um estudante.
Essa frase foi publicada em um grupo de WhatsApp com alunos de Medicina. Ela é considerada ofensiva por comparar bolsistas com quem paga faculdade.
Além disso, imagens de cunho nazista também foram compartilhadas no grupo. Um estudante postou uma foto do exército nazista com referências ao "leite cru".
"Leite cru" é um termo usado por grupos que defendem a supremacia da raça branca e foi chamado de "leite sem diluição". Esses grupos usam esse jargão em conversas online.
Reação da faculdade
A UniCesumar, instituição onde os alunos estão matriculados, informou que tomou medidas disciplinares contra os estudantes culpados.
A faculdade divulgou que alguns alunos foram expulsos, outros suspensos e outros apenas advertidos, todos de acordo com a gravidade das ofensas. O g1 perguntou à universidade quantos alunos receberam cada punição e ela respondeu que não vai fornecer essa informação.
Denúncia ao Ministério Público
Alunos da instituição abriram um boletim de ocorrência junto ao Ministério Público Federal (MPF), após os ataques na internet. O Ministério Público confirmou ter recebido a denúncia e disse que está apurando as investigações.
Leitura rápida sobre a noticia
- Quais alunos foram punidos foram de uma faculdade no Paraná
- As mensagens foram enviadas no grupo de WhatsApp após a eleição de Lula
- O grupo de WhatsApp tinha alunos em 2026
- Mensagens ofensivas contra colegas bolsistas
- Referências nazistas e supremacia da raça branca foram usadas
- A faculdade adotou expulsões, suspensões e advertências
- O Ministério Público Federal confirmou a abertura da investigação
- Estudantes da instituição não apareceram desde os ataques
"Clima hostil"
Um estudante afirmou que as aulas na faculdade foram suspensas. O estudante que deu a entrevista ao g1 preferiu não ser identificado. Segundo ele, a faculdade parou de funcionar após as ofensas na internet.
"É um clima hostil na faculdade, um clima hostil nos grupos, que vai muito além de divergências políticas. Parece que o contexto da eleição foi apenas um pretexto para eles extravasarem o ódio às pessoas mais pobres", disse o estudante que pediu anonimato.
Nota da faculdade
Em nota, a UniCesumar afirmou ter concluído uma sindicância interna para investigar os fatos sobre as mensagens trocadas no grupo de alunos.
As atitudes foram consideradas inaceitáveis. A instituição diz que adota medidas disciplinares contra as ofensas na universidade e contra a intolerância no curso.
Nota do Conselho Regional de Medicina
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informou que as atitudes ferem os princípios do Código de Ética do Estudante de Medicina.
O Código diz que o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade. Ele pode exercer suas atividades sem discriminação de qualquer natureza. A instituição reforçou que a Medicina é um curso humanístico e a discriminação é incompatível com seus valores.
"A escolha pela Medicina exige compromissos humanísticos e humanitários pautados pela promoção do bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e da coletividade", escreveu o CRM-PR.
A instituição também disse que acompanhará o caso e contribuirá para "uma apuração rigorosa e transparente dos fatos".


Estudantes de Medicina na faculdade de Maringá no Paraná


