Cerca de 210 milhões de eleitores dos EUA vão às urnas nesta terça-feira para eleger a Câmara dos Representantes e 1/3 do Senado. O resultado pode definir o futuro de Donald Trump na Casa Branca, pois os democratas podem conquistar a maioria no Congresso com repercussões para o Brasil.
Eleição nos Estados Unidos define futuro de Trump
Os cerca de 210 milhões de eleitores dos Estados Unidos (EUA) vão às urnas nesta terça-feira (3) para eleger todos os 435 deputados da Câmara dos Representantes, além de 35 das 100 cadeiras do Senado. Os estadunidenses também devem escolher governadores em 36 dos 50 estados do país.
O resultado define o futuro do presidente Donald Trump na Casa Branca porque os democratas podem conquistar maioria no Congresso, o que teria repercussões políticas também para o Brasil.
Isso porque a oposição tem questionado a Casa Branca sobre supostas interferências de Trump no Brasil, como o financiamento dos EUA para campanhas contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
- 210 milhões de eleitores vão às urnas nesta terça-feira (3)
- 210 milhões de eleitores dos EUA vão às urnas em uma grande votação de meio de mandato para definir o Legislativo.
- A maioria no Congresso pode definir o futuro de Trump
- Se os democratas conquistarem a maioria no Congresso, eles poderão ampliar investigações e dificultar a agenda de Trump.
- Trump enfrenta desaprovação crescente e promete pagar US$ 5 mil para adultos
- Especialistas apontam que vitória democrata pode mudar a política externa dos EUA, em especial a guerra no Irã.
- Repercussões para o Brasil: investigações sobre a família Bolsonaro nos EUA
- Os democratas podem ampliar investigações sobre a atuação da família Bolsonaro nos EUA.
- Congressistas democratas cobram explicações sobre envolvimento da Casa Branca na fuga do senador Flávio Bolsonaro
O cenário atual
Atualmente, as duas casas legislativas contam com uma apertada maioria de republicanos, o que concede maior liberdade para Trump implementar suas políticas.
Pesquisas de opinião têm indicado uma vitória dos democratas devido, entre outros motivos, ao aumento do custo de vida da população. A guerra iniciada por Trump contra o Irã é apontada como uma das causas da inflação já que aumentou o preço dos combustíveis após as restrições a navegação no Estreito de Ormuz.
Ao longo dos últimos meses, a desaprovação do presidente dos EUA vem crescendo e alcançou 61%, contra 36% de aprovação, segundo uma média de pesquisas calculada pelo jornal The New York Times.
Nesse cenário desfavorável, Trump prometeu pagar US$ 5 mil para cada adulto do país caso os republicanos vençam as eleições da Câmara e do Senado e tem viajado o país nos últimos dias em campanha para os aliados.
Expertise do especialista Paulo Abraão
Paulo Abraão é diretor-executivo da Brazil Office Alliance organização que conecta pesquisadores brasileiros que atuam nos EUA e avalia que o resultado da eleição vai definir o controle que o Legislativo terá sobre o presidente Trump. Se a oposição conquistar uma das Casas, poderá ampliar investigações, exigir explicações do governo e dificultar sua agenda legislativa. O controle da Câmara é particularmente relevante para a fiscalização, explicou Abraão.
Abraão acrescentou que o controle do Senado dá poder para confirmar ou rejeitar a nomeação de autoridades e juízes. Se os republicanos mantiverem as duas Casas, Trump terá condições políticas mais favoráveis para avançar sua agenda, embora isso não elimine divergências dentro do próprio partido, completou o diretor da Brazil Office Alliance.
Sobre o processo eleitoral
Sobre o processo eleitoral, Trump vem lançando uma série de dúvidas relacionadas à segurança do sistema nos EUA. Em 2020, ao perder para Joe Biden, Trump acusou a eleição de ter sido fraudada, mas não apresentou provas. Na última semana, quando questionado por jornalistas, Trump disse que respeitaria o resultado se forem eleições honestas.
Há uma expectativa de que uma vitória democrata promova alguma mudança na política externa dos EUA, em especial, em relação à guerra no Irã. O especialista Paulo Abraão pondera que a Presidência dos EUA tem uma ampla margem de ação na política externa, ainda que sem maioria no Parlamento.
Um Congresso mais independente pode aumentar os custos políticos, fiscalizar decisões e disputar recursos, sem comandar a diplomacia, destacou Abraão.
Repercussão para o Brasil
O enfraquecimento político de Donald Trump, caso perca maioria em uma ou nas duas Casas do Congresso, deve repercutir também nas relações dos EUA com o Brasil, marcada pelo tarifaço e atritos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Abraão avalia que os democratas podem ampliar a investigação sobre a atuação da família Bolsonaro nos EUA, expondo suas conexões com o governo Trump.
Parlamentares democratas já vêm cobrando explicações sobre supostas interferências de Trump no Brasil. O ponto central seria esclarecer se instrumentos do Estado americano foram utilizados para favorecer um grupo político estrangeiro, por quais razões e sob quais fundamentos, argumentou Abraão.
Ele aponta que uma investigação parlamentar poderia apurar a denúncia contra a Meta, dona do Facebook, Instagram e Whatsapp, de favorecer o candidato Flávio Bolsonaro durante a eleição no Brasil.
A redução do alcance nas redes das contas ligadas ao candidato Lula foi justificada pela big tech como problemas técnicos. Uma mudança no controle do Congresso pode transformar cobranças, hoje expressas em cartas, em investigações com maior capacidade de produzir provas e exigir respostas. Isso não é automático, depende das prioridades da nova maioria e pode enfrentar resistência e disputas judiciais, finalizou o também professor de direito Paulo Abraão.
Nas últimas semanas, congressistas democratas têm questionado a Casa Branca, por meio de cartas, desde a ação da Meta nas eleições brasileiras, até a decisão de revogar o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Na última quinta-feira (30), os democratas cobraram explicações sobre o envolvimento da Casa Branca na fuga do senador Flávio Bolsonaro do Brasil, apesar da Justiça ter proibido a saída do parlamentar. Flávio responde processos por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.


Sobre o processo eleitoral, Trump vem lançando uma série de dúvidas relacionadas à segurança do sistema nos EUA - Foto: Reprodução


