04 de novembro de 2026

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Eleição nos EUA decide se Trump terá governo travado no Congresso

GERAL Política 04/11/2026 06:44 Metrópoles pautadiaria.com.br

Nesta terça-feira (3), os Estados Unidos realizam eleições legislativas (midterms) que definem o novo Congresso. Com aprovação baixa e preocupação com o custo de vida, os democratas têm chance de ganhar a Câmara e travar as leis de Donald Trump, possivelmente abrindo caminho para investigações e até impeachment.

Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3/11) para escolher os novos integrantes do Congresso em uma eleição que pode impor os primeiros grandes obstáculos ao segundo mandato de Donald Trump.

O pleito, que definirá todos os novos integrantes da Câmara e de um terço do Senado, ocorre em momento de desgaste da administração do republicano, marcado pela queda na aprovação presidencial, pelo prolongamento da guerra contra o Irã e pelo aumento do custo de vida.

  • Custo de vida: A alta nos preços de combustíveis, alimentos e moradia é a maior preocupação dos eleitores.
  • Aprovação de Trump: Sobe para 32%, próximo da mínima histórica de 31% no governo.
  • Disputa na Câmara: Democratas têm mais de 90% de chance de recuperar a maioria.
  • Consequência política: Uma vitória democrata pode travar leis, abrir investigações e forçar impeachment.
  • Contexto internacional: A guerra com o Irã e as tarifas comerciais pesam negativamente na popularidade do presidente.

O que está em jogo nas eleições de meio de mandato

As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, ocorrem a cada dois anos, no intervalo entre as disputas presidenciais, e funcionam como uma avaliação do governo em exercício. Diferentemente das eleições presidenciais, não há um candidato à Casa Branca na cédula. Ainda assim, o resultado costuma refletir a satisfação dos eleitores com os rumos do país.

Serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Os mandatos dos deputados duram dois anos, enquanto os senadores cumprem períodos de seis anos. Atualmente, os republicanos ocupam 218 cadeiras na Câmara, contra 214 dos democratas. Para recuperar o controle da Casa, a oposição precisa conquistar quatro assentos a mais.

No Senado, os republicanos têm 53 das 100 vagas, enquanto democratas e independentes alinhados ao partido somam 47. Para assumir a maioria, os democratas precisam chegar a 51 cadeiras. A importância do resultado está nas atribuições do Congresso, responsável pela elaboração e aprovação de leis federais, além da fiscalização do Poder Executivo. Uma mudança na composição parlamentar pode dificultar a aprovação de projetos prioritários da Casa Branca e alterar o equilíbrio de forças em Washington.

Economia e guerra no Irã pesam na disputa

A economia é uma das principais preocupações dos eleitores, diante da alta nos preços de combustíveis, alimentos, saúde e moradia. O prolongamento da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã também pressiona o custo de vida e gera críticas à política externa de Trump. Os democratas ainda atribuem às tarifas comerciais o encarecimento de produtos, enquanto os republicanos destacam o endurecimento das políticas migratórias como uma conquista do governo. A regulamentação da inteligência artificial também ganhou espaço no debate eleitoral.

Na véspera da votação, Trump intensificou a mobilização de eleitores para tentar preservar a maioria republicana no Congresso. Em discurso de aproximadamente 50 minutos no espelho d'água do Lincoln Memorial em Washington, nessa segunda, o presidente classificou o pleito como o mais importante de suas vidas e voltou a atacar os democratas. "O Partido Democrata indicou a lista de candidatos mais extremista e perigosa da história americana", declarou. O republicano também acusou os adversários de defenderem fronteiras abertas, aumento de impostos, restrições ao porte de armas e políticas que, segundo ele, elevariam os custos de energia e ampliariam a imigração.

Ao defender seu governo, Trump afirmou que os Estados Unidos vivem uma "era de ouro" e destacou o desempenho econômico de sua administração. O presidente também pediu que os apoiadores tratem a votação como se ele próprio estivesse na disputa. O discurso presidencial ocorre em meio à insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida. Até mesmo estrategistas republicanos demonstraram preocupação com o fato de Trump dedicar espaço a projetos de reforma e construção de monumentos e estruturas em Washington, enquanto os americanos enfrentam dificuldades econômicas.

O que uma derrota republicana significa para Trump

Uma eventual vitória democrata em pelo menos uma das Casas do Congresso representaria uma mudança importante na relação entre o Legislativo e a Casa Branca. Com o controle da Câmara, a oposição passaria a comandar as comissões parlamentares e teria instrumentos para convocar integrantes do governo, solicitar documentos e abrir investigações sobre a administração republicana. O governo também poderia enfrentar questionamentos sobre contratos, conflitos de interesse e medidas adotadas por meio de decretos presidenciais.

A possibilidade de um novo processo de impeachment também pode ganhar força entre os democratas. A Câmara dos Representantes tem competência para apresentar acusações contra o presidente, enquanto cabe ao Senado conduzir o julgamento político. Eventual condenação, contudo, exige o apoio de dois terços dos senadores. No Senado, a mudança de maioria permitiria à oposição dificultar a confirmação de indicações presidenciais para cargos de alto escalão, embaixadas e tribunais federais, incluindo eventuais vagas na Suprema Corte.

Trump ainda poderia recorrer a ordens executivas para implementar parte de sua agenda, mas enfrentaria maior resistência institucional e dificuldades para transformar suas propostas em leis. O resultado também deve influenciar as articulações para a eleição presidencial de 2028, da qual Trump não poderá participar por já ter exercido dois mandatos.


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