O Papa Leão 14 utilizará papamóveis da Fiat, Toyota e General Motors durante sua viagem ao Uruguai, Argentina e Peru. Os veículos, baseados em picapes a diesel, foram adaptados com requisitos específicos do Vaticano, como laterais abertas e teto transparente.
Cada país sul-americano visitado pelo papa Leão 14 terá um papamóvel exclusivo. As montadoras Fiat, General Motors (GM) e Toyota desenvolveram os veículos para a viagem agendada entre 6 e 17 de novembro. Cada marca forneceu dois modelos adaptados para o pontífice.
Todos os carros foram construídos sobre picapes de porte médio e motor a diesel, originalmente com cabine dupla. A escolha por veículos robustos visa garantir segurança e conforto durante os deslocamentos.
- Uruguai: Papamóvel baseado na Fiat Titano, adaptado pela Nordex.
- Argentina: Papamóvel baseado na Toyota Hilux, montada na fábrica local.
- Peru: Dois papamóveis baseados na Chevrolet S10, produzida no Brasil.
- Requisitos do Vaticano: Laterais abertas, banco giratório, escada elétrica e teto transparente.
- Futuro dos veículos: Devem ser doados às igrejas locais ou vendidos para caridade.
Detalhes técnicos e adaptação dos veículos
A primeira etapa, no Uruguai (6 a 8 de novembro), utilizará a Fiat Titano adaptada pela empresa Nordex. O veículo segue rigorosos requisitos do Vaticano: laterais abertas para contato visual com a multidão, banco do papamóvel giratório com ajuste de altura, dois assentos auxiliares, escada traseira elétrica, tapete vermelho e forrações de couro branco. Um teto transparente protege o papa da chuva.
Devido a essas exigências, a parte traseira dos papamóveis é padronizada. Na Argentina (8 a 11 de novembro), a Toyota mantém sigilo sobre o desenho completo do veículo. A montadora mostrou apenas uma foto da entrega ao núncio local, monsenhor Michael Wallace Banach. A base é a picape Hilux, líder de mercado no Brasil, adaptada pela empresa Vallé Equipamientos, sediada em Córdoba.
Vaivém com a Chevrolet S10 no Peru
No Peru (11 a 17 de novembro), o papa contará com dois papamóveis fabricados no Brasil, baseados na Chevrolet S10 produzida em São José dos Campos. A GM realizou as modificações em parceria com a Engesig, especialista em veículos especiais. Luiz Gustavo Moraes, gerente de engenharia da GM, explicou que o maior desafio foi cortar a carroceria da picape para criar o espaço do papamóvel, mantendo a estrutura firme.
Moraes destacou que os corrimãos foram projetados para permitir que Leão 14 se segure, seja visto com clareza e fale com sua equipe em segurança. Os veículos carregam símbolos do Vaticano gravados no metal, incluindo o lema em latim na frente, as chaves do Vaticano na lateral e a frase em italiano "La pace sia con tutti voi" (A paz esteja com todos vocês), dita pelo papa em sua posse.
Destino dos papamóveis e questões ambientais
Após a viagem, os veículos devem ser doados às administrações das igrejas católicas de cada país. No Uruguai, o Vaticano indicou que o carro pode ser vendido a colecionadores, com os recursos destinados a fundos de caridade e colégios católicos em dificuldade. É tradição que os países anfitriões forneçam os papamóveis, como ocorreu com o Fiat Idea usado pelo papa Francisco no Brasil em 2013.
Apesar da evolução tecnológica, a utilização de veículos a diesel pode gerar contradição com as posições públicas de Leão 14 sobre a crise climática. Na Itália, o pontífice utiliza um modelo elétrico da Mercedes-Benz (baseado no SUV Classe G), que também transportou o papa Francisco em sua última aparição pública na Páscoa de 2025. A preferência por veículos elétricos tem crescido em eventos do Vaticano para reduzir a pegada de carbono.


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