08 de novembro de 2026

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Mindfulness na cidade: como pequenas pausas podem acalmar a mente

GERAL Mindfulness 08/11/2026 16:16 Personare meiahora.com.br São Paulo SP

Em meio ao trânsito e à pressa de São Paulo, pesquisadores do CEMITI-USP mostram como prestar atenção ao corpo e à respiração pode reduzir estresse e melhorar a relação com a cidade. Eles participam da Virada Sustentável 2026 com uma vivência gratuita no Centro Cultural São Paulo.

Na Virada Sustentável 2026, a conversa sobre sustentabilidade é ampla, e uma pergunta acompanha sempre: como viver bem numa cidade do tamanho de São Paulo Pressa, trânsito, notificação. A metrópole treina a gente para estar em qualquer lugar, menos onde estamos.

Entre os convidados que compartilham essa visão, o Personare apresenta um texto de Paulo Sousa e Edilaine Cristina da Silva, do Centro de Mindfulness e Terapias Integrativas da USP (CEMITI-USP). Paulo é psicólogo clínico e instrutor de mindfulness. Edilaine é professora titular, instrutora de mindfulness e fundadora do CEMITI, grupo de pesquisa, ensino e extensão ligado à Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP que, desde 2016, promove saúde mental e atenção plena com iniciativas gratuitas e abertas à comunidade.

  • A vivência é gratuita e acontece no sábado, 7 de novembro, das 13h às 14h30, no Jardim Suspenso do Centro Cultural São Paulo.
  • O encontro é conduzido por Paulo Sousa e Edilaine Cristina da Silva, do CEMITI-USP.
  • Mindfulness é prestar atenção de propósito ao momento presente, sem julgamento.
  • A prática não é esvaziar a mente nem apenas pensar positivo; é perceber o que acontece enquanto acontece.
  • Pequenas pausas de respiração podem ajudar a lidar com estresse, ansiedade e pressa no dia a dia.

No sábado, 7 de novembro, das 13h às 14h30, eles conduzem a vivência Presença Viva: Mindfulness na Cidade que Respira, no Jardim Suspenso do Centro Cultural São Paulo.

Boa leitura!

Onde você está, de verdade

São Paulo, 8h12. Talvez você esteja no carro, parado no trânsito, com os olhos na rua e os dedos no celular. Ou no metrô, espremido entre desconhecidos, com a mente já resolvendo os problemas que podem surgir ao longo do dia. Ou caminhando até o trabalho, cruzando centenas de pessoas pelo caminho sem ver nenhuma delas.

Em todos os casos, o corpo está ali, mas a cabeça já está na reunião das dez e na mensagem sem resposta. Em que momento do trajeto você esteve, de fato, presente

Essas cenas são tão comuns que quase não as notamos mais. A metrópole nos treina para a pressa, e o preço pagamos com estresse, ansiedade, pouca qualidade no sono e insatisfação com a vida.

Diante desse fluxo quase imposto, porém, é sempre possível para cada um de nós perceber e escolher onde repousamos a nossa atenção e consciência. É nessa permissão para escolher que nasce a Presença Viva: Mindfulness na Cidade que Respira, proposta que será levada à Virada Sustentável SP 2026, a partir de uma ideia simples:

Cidades mais sustentáveis começam por pessoas mais presentes.

Jon Kabat-Zinn e a atenção plena no hospital

Em 1979, o doutor em biologia molecular Jon Kabat-Zinn abriu uma clínica de redução de estresse num hospital universitário de Massachusetts, nos Estados Unidos. Nascia o programa Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR), que levou práticas contemplativas milenares para dentro da medicina, com método, medidas e rigor científico.

A definição dele é simples: mindfulness é prestar atenção de um jeito específico, de propósito, no momento presente e sem julgamento. Não é esvaziar a mente nem apenas pensar positivo. É perceber o que acontece enquanto acontece.

Desde então, estudos clínicos associam a prática à redução de sintomas de estresse, ansiedade e depressão. É nesse terreno que atuamos no Centro de Mindfulness e Terapias Integrativas (CEMITI) da USP de Ribeirão Preto, por meio do ensino, da pesquisa científica e da extensão universitária, com um pé na evidência científica e outro na experiência viva.

A respiração como âncora

Se a atenção é um barco, a respiração é a âncora. Ela está sempre disponível aqui, no corpo, no agora: ninguém respira ontem nem amanhã. Quando a mente dispara para a lista de tarefas ou para o pior cenário possível, voltar ao ar que entra e sai pelas narinas é um jeito simples de voltar para casa.

E acredite: há muita ciência nisso. A respiração é uma ponte rara entre o voluntário e o involuntário. Acontece sozinha, mas podemos conduzi-la. Respirações lentas e conscientes tendem a favorecer a resposta de relaxamento do sistema nervoso autônomo, promovendo um estado de regulação emocional. É fisiologia aliada à atenção.

Uma pausa de um minuto

Antes de seguir, o convite é parar. Leia os próximos parágrafos com calma e, depois, se for confortável, feche os olhos.

Perceba como o seu corpo está neste momento. Onde ele toca a cadeira, o sofá, o chão A coluna está curvada ou apoiada Os ombros subiram em direção às orelhas O maxilar está apertado Sem corrigir nada, apenas repare. Se quiser, ajuste a postura com gentileza: coluna longa, ombros soltos, mãos descansando.

Agora, leve a atenção a uma âncora. Pode ser o ar que entra e sai dos pulmões enquanto você lê estas palavras. Pode ser o som mais distante, o mais próximo, ou o silêncio entre eles. Pode ser um cheiro no ambiente, a temperatura do ar na pele, o vento ou a brisa tocando o rosto e as mãos.

Essas sensações não são detalhes: são portas de entrada para o presente. No mindfulness, chamamos isso de ancoragem: escolher um ponto de contato com a experiência e voltar a ele quantas vezes for preciso, sem se cobrar.

Cada som, cada sopro de ar, cada respiração é uma imersão no que temos de mais precioso nesta vida: o tempo. Ele só existe como experiência quando estamos presentes para vivê-lo.

Fique aqui por mais algumas respirações. Feche os olhos para desfrutar deste convite inusitado e, quando for confortável e certo, abra os olhos devagar e volte à leitura.

Corpo, espaço e cidade

Ao voltar da pausa, note: você estava em algum lugar. Um corpo ocupa espaço, e o espaço também nos ocupa. Estamos numa casa, que fica numa rua, num bairro, numa cidade, num estado, num país, num planeta. Em círculos cada vez maiores, tudo isso nos sustenta e é sustentado por nós.

A consciência do corpo, que a ciência chama de propriocepção e interocepção, é o primeiro passo dessa relação. Quem percebe o próprio corpo percebe melhor o que o ambiente provoca nele: o ruído que tensiona, o verde que acalma, a calçada apertada. Nossa aposta, como pesquisadores, é que perceber é o começo de cuidar.

Como está a sua relação com cada um desses círculos Você se sente em casa na sua casa Caminha pelo seu bairro ou apenas passa por ele

A atenção plena não resolve sozinha os desafios urbanos, mas devolve a pergunta que antecede qualquer mudança: o que está acontecendo aqui, agora, comigo e ao meu redor

Sustentabilidade interna e Agenda 2030

Chamamos esse movimento de sustentabilidade interna: a compreensão de que o cuidado com o planeta passa pelo cuidado com a própria mente. Ela não substitui políticas públicas nem ação coletiva. Caminha ao lado delas.

Podemos conectar a nossa prática de interiorização pessoal com planos de ação para um planeta mais próspero, como a Agenda 2030 da ONU e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Cuidar da saúde mental e do bem-estar e ocupar o espaço público com pausa e convivência ajudam a fazer das nossas cidades um espaço de construção de comunidades prósperas e sustentáveis.

Escutar sem reagir no automático, construir uma mente compassiva, paz, justiça social e instituições eficazes começam também no modo como nos relacionamos com a nossa própria mente e as nossas emoções.

Um mundo mais justo e sustentável não se constrói só de grandes decisões. Constrói-se também de milhões de pequenas presenças.

Venha respirar com a gente

Para começar hoje, experimente três âncoras no seu dia:

  • No caminho para casa: sinta os pés no chão por três respirações.
  • Na rua: acompanhe um som até ele se dissolver.
  • Antes de dormir: perceba o peso do corpo no colchão.

E, se quiser praticar acompanhado, a gente espera você: sábado, 7 de novembro, das 13h às 14h30, no Jardim Suspenso do Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000, Liberdade, São Paulo). O CEMITI-USP conduz a Presença Viva: Mindfulness na Cidade que Respira dentro da programação da Virada Sustentável SP 2026.

Em 90 minutos, a Dra. Edilaine Cristina da Silva vai guiar uma jornada sensorial com práticas de mindfulness que envolvem o corpo e a respiração em meio à agitação do espaço urbano.

A atividade é gratuita, aberta a adolescentes, adultos e idosos, sem exigir experiência prévia. Use roupas confortáveis e leve água.

Presença não é um lugar aonde se chega. É um lugar para onde se volta, respiração após respiração.

Resumo e convite

Prestar atenção ao corpo e à respiração, mesmo no meio do trânsito e da pressa, é um jeito simples de cuidar da saúde mental e da relação com a cidade. Os pesquisadores do CEMITI-USP chamam isso de sustentabilidade interna, e a prática começa com poucas respirações.

Pratique ao vivo na Virada Sustentável. Sábado, 7 de novembro, das 13h às 14h30, no Jardim Suspenso do Centro Cultural São Paulo, com o CEMITI-USP.

No mesmo dia e no mesmo lugar, o Personare faz o Retiro Urbano Personare, no Espaço Cênico Ademar Guerra: um dia inteiro de vivências gratuitas, com yoga, limpeza energética, práticas terapêuticas, astrologia e tarot com previsões para 2027. A programação do Retiro está disponível na página do Personare.

As inscrições para o Retiro Urbano Personare podem ser feitas na página do Personare.


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