O chanceler alemão Merz visitou Kiev durante ataques russos, liberando 1 bilhão em ajuda militar e 350 milhões para energia. Zelenski confirmou que os EUA buscarão novas negociações trilaterais no final de outubro.
Sirenes de alerta e explosões somaram-se à visita do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, à capital ucraniana, Kiev, neste domingo (4). O encontro ocorreu com a Rússia intensificando seus ataques contra a cidade, o que exigiu uma resposta imediata de apoio de Berlim e um chamado para a paz.
Durante a visita, Merz assinou um pacote de medidas junto com o presidente Volodimir Zelenski. O acordo garante a liberação de 1 bilhão de euros em ajuda militar e 350 milhões de euros para a reconstrução do setor de energia. Além disso, foi definido um acordo para a produção conjunta de diferentes tipos de drones.
- Alemaia libera 1,3 bilhão em ajuda militar e energética à Ucrânia.
- Rússia mantém bombardeios contra infraestruturas críticas em Kiev.
- EUA propõem reunião trilateral com Rússia e Ucrânia no final de outubro.
- Parceria será focada na produção de drones interceptadores e mísseis de longo alcance.
- Moscou ameaça continuar ataques como "retaliação" às ações ucranianas.
Apoio militar e reparos energéticos
As autoridades do governo alemão confirmaram que o pacote visa fortalecer a defesa ucraniana e restaurar o fornecimento de eletricidade, um setor crítico que tem sofrido ataques sistemáticos. A presença do chanceler Merz na capital ucraniana, mesmo sob fogo, é vista como um sinal forte de solidariedade europeia.
Cenário de guerra na capital
Os dois líderes visitaram o prédio da Academia de Ciências da Ucrânia, que foi gravemente danificado em um ataque com drones na semana passada. Pelo menos duas pessoas morreram nesse incidente anterior. Enquanto eles caminhavam pelo local, o centro de Kiev sofria com alguns dos ataques com drones mais persistentes desde o início da guerra, em 2022.
"Só posso repetir mais uma vez neste momento: [Vladimir] Putin, ponha fim a esta guerra sem sentido", declarou Merz. "Estamos prontos para negociações, estamos prontos para discutir o fim desta guerra, mas esses ataques bárbaros contra a população civil da Ucrânia devem cessar", acrescentou o chanceler.
Possível mesa de negociação
Volodimir Zelenski anunciou, ainda no domingo, que os Estados Unidos pretendem organizar um novo ciclo de negociações trilaterais no final de outubro. O objetivo é tentar pôr um fim ao conflito. "A parte americana está atualmente em contato com a Ucrânia e a Rússia e propõe organizar, de uma forma ou de outra, uma reunião em nível técnico, em formato trilateral, no final de outubro", declarou o presidente ucraniano durante uma entrevista coletiva.
Na manhã do domingo, quatro alertas de ataque aéreo foram emitidos em toda a capital. Habitantes relataram o som de explosões e a ativação de sistemas de defesa aérea por toda a cidade, indicando a escala da ofensiva russa.
Danos à infraestrutura crítica
Um dos ataques russos atingiu a ponte do Norte, que atravessa o rio Dnipro, danificando a pista. Vitali Klitschko, prefeito de Kiev, informou no Telegram que o ataque feriu duas pessoas e danificou um sistema de abastecimento de água quente na área.
A Rússia tem atacado as pontes de Kiev desde a semana passada. A estratégia visa interromper as conexões entre as duas margens da capital e bloquear as rotas logísticas entre o centro e o leste da Ucrânia, dificultando o movimento de tropas e suprimentos.
Parceria com a indústria de defesa
Merz esteve acompanhado pela ministra da Economia, Katherina Reiche, e por uma delegação econômica que inclui executivos da Siemens Energy, Hensoldt, Diehl Defence, Quantum Systems e outras empresas. Espera-se que o chanceler pressione o governo ucraniano para que haja avanços nas reformas solicitadas pelos parceiros da União Europeia, com foco no combate à corrupção.
Na quarta-feira (30), após uma conversa por telefone, Zelenski havia afirmado que a Ucrânia finalizaria em breve um acordo com a Alemanha para a produção de drones, mísseis e software relacionado. Esse acordo é parte central da colaboração industrial entre os dois países.
Um dos principais focos do acordo é a produção rápida de drones antiaéreos. A Quantum, empresa alemã de tecnologia de defesa, testou com sucesso essa tecnologia. Desde o verão, a Rússia tem utilizado diariamente dezenas de drones de ataque a jato de alta velocidade para atingir infraestruturas civis e militares.
Em abril, a Quantum e a fabricante ucraniana WIY Drones anunciaram a criação da Quantum WIY Industries, uma joint venture para produzir o drone interceptador Strila e tecnologias de defesa aérea relacionadas. A produção local visa acelerar o fornecimento de sistemas de defesa.
O acordo também envolve o desenvolvimento e a produção conjuntos de armas com alcance superior a 1.000 km. Essa tecnologia permitirá que a Ucrânia utilize esses sistemas para lançar ataques no interior da Rússia, alterando a dinâmica do conflito.
O Ministério das Relações Exteriores russo afirmou no sábado (3) que Moscou continuará a atingir sistematicamente alvos na Ucrânia. O governo russo classificou essas ações como ataques retaliatórios às ações ucranianas contra o território russo nos últimos meses. O ministério alertou cidadãos estrangeiros e funcionários diplomáticos contra a permanência ou viagem ao território do vizinho.
Zelenski disse à Reuters no sábado que as Forças Armadas de seu país intensificarão os ataques a refinarias de petróleo na Rússia. Essa é a resposta à "nova doutrina" de Moscou de intensificar os ataques à infraestrutura civil, que, segundo o presidente, tem como objetivo forçar os moradores de Kiev e de outras cidades a fugir.


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