Presidente francês proíbe manifestações não sindicais, mobiliza exército e helicópteros, enquanto comerciantes armam lojas contra saques e violência.
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (22) que protestos considerados 'ilegítimos' serão proibidos nos próximos dias. Ele culpou grupos de extrema esquerda e vândalos pela onda de violência vista no fim de semana e declarou: 'Queremos um retorno à calma'. A medida visa evitar a repetição dos distúrbios que tomaram as ruas parisienses.
Após uma reunião fechada com chefes de inteligência e ministros no Palácio do Eliseu, Macron determinou que, neste sábado, apenas manifestações organizadas por sindicatos serão autorizadas. Os trajetos poderão ser alterados para proteger comércios. 'A recomendação geral é que não haja manifestações nos próximos dias', afirmou, alertando que reivindicações de pessoas sem legitimidade serão rejeitadas porque 'não é o momento'.
- Macron proíbe protestos 'ilegítimos' e permite apenas atos sindicais no sábado.
- Mobilização de segurança será 20% maior, incluindo tanques, helicópteros e soldados.
- Lyon, Rouen e Toulon vetaram todos os atos; Paris fechou metrôs no centro.
- Comerciantes compraram armas de defesa e a campanha 'Braçadeira Preta' mobiliza voluntários.
- Líderes da oposição, como Marine Le Pen, boicotaram reunião com o primeiro-ministro.
Acusações de golpe e falha nos serviços de inteligência
Macron afirmou que, no último fim de semana, grupos de extrema esquerda tentaram derrubar a República durante os distúrbios. Os serviços de inteligência foram acusados de não prever a dimensão da mobilização de sábado. Na quarta-feira (21), o presidente já havia declarado que não haverá hesitação no topo do Estado para punir os manifestantes envolvidos na violência.
A declaração ocorre enquanto autoridades em todo o país se preparam para novos protestos. Em Lyon, a segunda maior cidade, todos os atos de sábado foram proibidos. Rouen e Toulon também vetaram as manifestações, decisão que a oposição vê como restrição às liberdades democráticas.
Novas mobilizações e fechamento do metrô
Apesar das proibições, novas manifestações estão sendo organizadas. A Unef, principal entidade estudantil, convocou atos, e o movimento dos Coletes Amarelos anunciou uma marcha pelo centro de Paris. Estudantes do ensino médio, mobilizados desde setembro por mais recursos para as escolas, também aderiram. Os sindicatos preveem uma greve geral e manifestações para 5 de novembro.
Um protesto estudantil marcado para esta quinta-feira em Paris foi proibido. As autoridades de transporte fecharam estações de metrô no centro da capital para evitar aglomerações não autorizadas. Segundo o ministro da Justiça, 217 pessoas foram presas por envolvimento nos distúrbios recentes.
Militares nas ruas e comércio armado
No fim de semana, o governo mobilizará veículos blindados, helicópteros e militares. O nível de mobilização será 20% superior ao da semana passada, anunciou o ministro delegado do Interior, Jean-Didier Berger. A presença massiva das forças de segurança visa conter qualquer nova escalada de violência.
Comerciantes do centro de Paris começaram a cobrir vitrines com tapumes, e muitos decidiram manter as portas fechadas no sábado. A grife Hermès disse ter reforçado a segurança de suas lojas no país. Parte dos lojistas duvida da capacidade das autoridades de conter os manifestantes e tem recorrido a armas de defesa de venda livre, segundo a agência RFI. A dona de um restaurante vietnamita contou à rádio FranceInfo que comprou um taser e um cassetete para se proteger.
De acordo com a imprensa local, uma loja de artigos de defesa registrou uma 'explosão da demanda' por sprays de defesa e dispositivos de gás incapacitante. Em paralelo, comerciantes articulam nas redes sociais a campanha 'Braçadeira Preta', que convoca uma mobilização nacional para proteger as lojas de depredações e saques.
Tensão política e críticas à repressão
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, recebe nesta tarde representantes de partidos e exige deles uma 'condenação das violências'. A oposição chamou o encontro de 'convocação', e Marine Le Pen e Jordan Bardella, do Reagrupamento Nacional, não vão comparecer. O social-democrata Raphaël Glucksmann confirmou presença. A França Insubmissa (LFI), acusada pelo governo de alimentar a revolta, escreveu a Lecornu para dizer que o Executivo é irresponsável ao tentar culpar a ultraesquerda. O partido critica também os toques de recolher e o uso de militares.
A esquerda acusa o governo de repressão brutal, enquanto a direita diz que falta firmeza. A terceira noite consecutiva de toques de recolher locais transcorreu sem grandes incidentes, dando algum alívio ao governo antes do fim de semana. Na quarta-feira, de Doha, onde estava em viagem ao Golfo, Macron disse que a situação 'não requer o decreto de estado de emergência', já que os prefeitos podem determinar toques de recolher. Criticado por sua ausência, afirmou 'assumir plenamente' a decisão de manter a viagem.


© Getty Images


