O Ministério Público de Mato Grosso do Sul recebeu uma denúncia sobre uma possível fraude em uma licitação de R$ 20 milhões da Fiems para compra de usina solar. A denúncia diz que a empresa vencedora já estava definida antes da disputa.
Empresário Massimo Parisi em conversa com Jaime Verruck, ex-diretor da Fiems, e Sérgio Longen. (Repr
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) recebeu uma denúncia sobre uma possível fraude em uma licitação de cerca de R$ 20 milhões feita pela Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems). O objetivo era comprar uma usina de energia solar. As informações foram divulgadas pelo Jornal Midiamax.
Segundo a denúncia, a licitação, marcada para esta quinta-feira (8), já teria um vencedor definido mesmo antes da disputa. O documento cita a Usina San Vito Solar, da empresa A. P. Gestão Empresarial, controlada por Alessia Parisi.
- A licitação é para comprar uma usina de energia solar já pronta.
- A denúncia afirma que a empresa vencedora já estava escolhida antes da disputa.
- A usina San Vito Solar é controlada pela família Parisi.
- O presidente da Fiems, Sérgio Longen, também é citado na denúncia.
- A suspeita é de que o edital foi feito para favorecer uma empresa específica.
A denúncia também diz que a negociação foi articulada com empresas ligadas ao empresário Massimo Parisi e envolveria o presidente da Fiems, Sérgio Longen. Mas essas acusações ainda precisam ser investigadas e provadas pelas autoridades.
Edital sob suspeita
De acordo com o material obtido pelo Midiamax, a licitação foi lançada em 30 de setembro e prevê a compra de uma usina que, segundo a denúncia, já estaria construída e funcionando.
Um dos pontos levantados é que o edital tem especificações técnicas muito restritivas. Por exemplo, exige módulos fotovoltaicos com potência mínima de 600 Wp.
Especialistas ouvidos pelo Midiamax disseram que essas exigências podem diminuir muito o número de empresas que podem participar.
A San Vito usa módulos de 695 W, enquanto a Usina Flor do Campo, da MS Energy, em Anastácio, usa módulos de 575 W.
Outro item citado é o FDI, um índice que relaciona a potência dos inversores com a dos módulos. Segundo o Midiamax, os números da San Vito 6 estariam dentro da faixa do edital.
A usina teria 5.186 módulos Risen de 695 W, com capacidade de cerca de 3,6 MWp, além de dez inversores Huawei de 250 kW, totalizando 2,5 MW em corrente alternada.
O edital estabelece faixa entre 2,8 MWp e 3,8 MWp e entre 2,1 MW e 3 MW em corrente alternada.
Relação empresarial
A denúncia também questiona a relação entre a Fiems e empresas do grupo de Massimo Parisi.
A MS Energy já teria participado de um projeto milionário da própria Fiems para construir uma usina solar no Clube de Campo do Sesi, em Campo Grande.
Em 2023, a Fiems disse que estava concluindo um complexo de usinas solares com capacidade de até 3,4 MWp, com investimento estimado em R$ 25 milhões.
Ainda segundo o Midiamax, documentos da MS Energy no processo de recuperação judicial mostram que ela tem valores a receber de empresas ou pessoas ligadas à Fiems.
Entre os nomes está o vice-presidente da Fiems, Luiz Gonzaga Crosara Júnior, com cerca de R$ 700 mil a receber.
Também aparece a Alira Empreendimentos e Participações, ligada à Usina Flor do Campo, com cerca de R$ 217 mil.
Recuperação judicial
Outro ponto da denúncia é a situação financeira do grupo de Massimo Parisi.
Segundo documentos do processo de recuperação judicial, a dívida do grupo MS Energy chega a R$ 56,92 milhões.
A reportagem também mostra que, entre abril e julho de 2026, Alessia Parisi assumiu o controle de cinco CNPJs que eram do pai, incluindo o da Usina San Vito.
A denúncia diz que essa mudança pode ter sido feita para tentar proteger os bens das dívidas do grupo. Mas isso também precisa ser apurado.
Dinheiro de natureza pública
A Fiems é parte do Sistema S e recebe recursos parafiscais. Segundo o Midiamax, os repasses para a entidade podem chegar a R$ 60 milhões só em 2026.
Como o dinheiro é público, irregularidades na contratação podem ser fiscalizadas por órgãos de controle.
A Controladoria-Geral da União (CGU) já disse que denúncias de fraude em licitações de tecnologia no Sistema S de Mato Grosso do Sul poderão ser consideradas em futuras auditorias.
Empresas e envolvidos foram procurados
O Jornal Midiamax procurou a MS Energy, a AP Gestão Patrimonial, a Parisi S.A. e a Fiems para comentar as denúncias, mas não teve resposta até a publicação.
Também foram procurados Luiz Gonzaga Crosara Júnior e Jaime Verruck para esclarecer sobre as relações empresariais e a participação no edital, mas não houve retorno.
O espaço continua aberto para que os citados se manifestem.
As informações sobre direcionamento, combinação de resultado ou conflito de interesses são alegações de uma denúncia e ainda precisam ser investigadas.




