12 de outubro de 2026

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Crianças traumatizadas repetem frases do sequestro em creche de Curitiba

Polícia Trauma 12/10/2026 10:51 Carolina Wolf | G1 PR e RPC g1.globo.com Curitiba PR

Três horas e meia de terror em uma creche de Curitiba deixaram marcas profundas em 13 crianças. Mães relatam que os filhos, que foram feitos reféns durante a festa do Dia das Crianças, agora sofrem com medos intensos, insônia e alterações de comportamento, repetindo frases ligadas ao ataque.

Dificuldade para dormir, medo intenso e lembranças constantes do ataque. Esses são alguns dos comportamentos relatados por mães das crianças que foram mantidas reféns por cerca de três horas e meia dentro de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), em Curitiba, na sexta-feira (9). Os relatos mostram como os pequenos estão reagindo após o resgate.

Os 13 alunos estavam fantasiados para uma comemoração do Dia das Crianças quando um homem armado com uma faca invadiu a unidade, no bairro São Braz, e os manteve reféns. Segundo a Polícia Militar (PM-PR), o suspeito também espalhou combustível pelo local e ameaçou colocar fogo.

  • 13 crianças foram mantidas reféns por aproximadamente 3 horas e meia em um CMEI de Curitiba.

  • Trauma visível: Meninos repetem frases como 'pou, pou' (referência a tiros) e têm terror para dormir.

  • Mudanças drásticas: Uma menina de 2 anos passa a fechar portas e pedir silêncio em casa.

  • Ameaça de incêndio: O agressor espalhou combustível na sala antes de ser rendido.

  • Ação do Bope: A negociação durou horas até o resgate, sem ferimentos graves nas crianças.

Reações das crianças após o sequestro

O filho de Giovana Lima, de 3 anos, era uma das crianças reféns e usava uma fantasia de Homem-Aranha no dia. Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo, a mãe contou que a roupa dele estava com cheiro de gasolina após o resgate.

Giovana também relatou que o menino teve dificuldade para dormir e passou a repetir palavras e frases relacionadas ao que viveu dentro da creche.

"Para dormir, ontem ele não quis. Ele veio mais para perto de mim e ficou repetindo as palavras de 'janela', 'o homem bateu no amiguinho', 'pou, pou, eu não quero mais pou'. O 'pou' dele são os tiros, né", contou.

Crianças foram resgatadas após ficaram horas como reféns. Foto: Tony Mattoso/RPC | Reprodução

A filha de Camila Silva, de 2 anos e 11 meses, também apresentou mudanças de comportamento depois do ataque. Segundo a mãe, a menina passou a fechar as portas de casa e pedir que as pessoas ficassem em silêncio.

"Ela tá muito apavorada. Não sei se vou mandar ela para a escola porque ela fecha as portas, fala pra gente ficar bem quietinho, grita, chora", relatou Camila.

O g1 não vai divulgar o nome do autor do ataque. A decisão segue as recomendações mais recentes de especialistas no tema, que defendem que dar visibilidade a agressores pode servir como um estímulo a novos ataques.

Atendimento psicológico e segurança

As famílias agora tentam ajudar as crianças a lidar com o medo após a ocorrência. A Prefeitura de Curitiba informou que mobilizou profissionais de psicologia para oferecer atendimento especializado aos alunos, familiares e funcionários da unidade.

Em nota divulgada no sábado (10), a Prefeitura também informou que, além do reforço no patrulhamento, estuda outras medidas para ampliar a segurança nas unidades de ensino da rede municipal.

Detalhes do ataque em Curitiba

O ataque aconteceu na sexta-feira (9), em um Centro Municipal de Educação Infantil no bairro São Braz, em Curitiba.

Segundo a Polícia Militar, um homem armado com uma faca invadiu a creche, entrou em uma das salas e manteve 13 crianças reféns. Ele também espalhou combustível pelo ambiente e, conforme a polícia, pretendia atear fogo no local.

Equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram acionadas para negociar com o suspeito. Durante as negociações, que duraram cerca de três horas e meia, o homem permaneceu sentado no chão com uma das crianças no colo. Conforme o tempo passava, ele ficava mais nervoso e os alunos, mais agitados.

Do lado de fora, pais e familiares aguardavam notícias das crianças enquanto a região permanecia isolada pelas equipes de segurança.

Os alunos que estavam em outras salas conseguiram deixar a unidade durante a ocorrência. Um helicóptero da Polícia Militar também acompanhou a operação.

Após as negociações, as 13 crianças foram resgatadas. Segundo a PM, nenhuma delas sofreu ferimentos graves.

Imagens mostram movimentação policial e barulho de bombas durante intervenção para resgatar crianças feitas reféns em Curitiba. Foto: Márcia Cris


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