15 de outubro de 2026

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PF prende quadrilha que vendia vinhos argentinos sonegando impostos no Brasil

Polícia Quadrilha 15/10/2026 12:40 Daniela Borsuk, g1 g1.globo.com Curitiba PR

A Polícia Federal prendeu um casal no Paraná e uma terceira pessoa em Goiás após desmontar uma rede que importava vinhos argentinos sem pagar tributos. A operação cumpriu 25 mandados em cinco estados e o DF, apreendendo bens e investigando crimes de lavagem de dinheiro e falsificação de documentos.

A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (15) um homem e uma mulher no estado do Paraná. O casal é suspeito de liderar uma organização criminosa que se dedicava à venda irregular de vinhos argentinos no mercado brasileiro. De acordo com as autoridades, os suspeitos utilizavam um esquema de descaminho para evitar o pagamento de impostos.

Além da dupla presa no Paraná, uma terceira pessoa foi detida em flagrante na cidade de Goiás, acusada de porte ilegal de arma de fogo. A ação policial foi de grande porte e resultou no cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão distribuídos por cinco estados brasileiros e pelo Distrito Federal.

  • A investigação foi iniciada em março de 2025, após a apreensão de 4.200 garrafas de vinho avaliadas em R$ 900 mil na Grande Curitiba;
  • O esquema envolvia empresas de fachada e contas bancárias de terceiros para ocultar o patrimônio ilícito;
  • Os investigados podem responder pelos crimes de descaminho, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa;
  • Mais de 100 policiais federais participaram da operação em cidades como Curitiba, Rio de Janeiro, Goiânia e Vitória;
  • Bens imóveis e veículos foram alvos de sequestro judicial para garantir o ressarcimento aos cofres públicos.

Operação atinge esquema de sonegação fiscal em cinco estados

De acordo com o delegado da Polícia Federal, Mateus Calabresi Liutti, os suspeitos presos no Paraná são considerados os principais articuladores da rede de crimes. Eles foram detidos na capital Curitiba e são apontados como líderes da estrutura que trazia os produtos do exterior para serem revendidos no Brasil sem a devida taxação.

A operação mobilizou um contingente superior a 100 agentes da PF. Os mandados foram executados em uma série de cidades estratégicas para a logística do grupo, incluindo Curitiba, São José dos Pinhais, Pinhais, Fazenda Rio Grande, Ampére, Foz do Iguaçu e Umuarama, no Paraná.

Nos demais estados, as ações ocorreram em Volta Redonda, Campos dos Goytacazes e Niterói, no Rio de Janeiro; em Goiânia e Rio Verde, em Goiás; em Vila Velha e Vitória, no Espírito Santo; em Teresina, no Piauí; e em Brasília, no Distrito Federal. A amplitude da operação demonstra o alcance nacional da rede criminosa.

Investigação aponta uso de empresas fantasma para lavagem de dinheiro

A PF afirmou ter encontrado indícios de que os investigados registravam seus bens em nome de familiares ou de terceiros. Essa manobra tinha o objetivo de ocultar os verdadeiros proprietários, dificultando o rastreamento patrimonial pela fiscalização. A polícia agora apura o uso de empresas de fachada e a emissão de documentos fiscais falsos.

Como medida preventiva, foram autorizadas ordens de sequestro de imóveis e veículos vinculados aos envolvidos. O objetivo é atingir diretamente o patrimônio adquirido através da atividade criminosa, garantindo recursos para eventuais indenizações. "O principal objetivo da operação é reunir provas, individualizar as atividades dos envolvidos, interromper essa estrutura de distribuição e comercialização irregular de vinhos estrangeiros", explicou o delegado Liutti.

Os suspeitos poderão responder, conforme a participação individual de cada um apurada durante o processo, pelos crimes de descaminho, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A severidade das acusações reflete o impacto da sonegação sobre a economia e a concorrência desleal com importadores regulares.

Começo da operação foi motivado por apreensão de carga milionária

As investigações que culminaram na deflagração da operação começaram em março de 2025. Na época, agentes da PF apreenderam 4.200 garrafas de vinho de origem estrangeira em um depósito localizado na região da Grande Curitiba. A carga foi avaliada em aproximadamente R$ 900 mil.

A análise do material apreendido naquele período demonstrou à polícia que se tratava de uma organização criminosa estruturada, que atuava de forma coordenada em diferentes regiões do país. O grupo utilizava uma estrutura logística complexa para inserir os vinhos argentinos no Brasil de forma irregular.

Após a entrada ilegal, os produtos eram armazenados em depósitos da Região Metropolitana de Curitiba e, em seguida, distribuídos para revendedores localizados em vários estados. Essa cadeia de distribuição visava diluir o risco de apreensão e maximizar o lucro obtido com a sonegação de tributos na importação.


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