Juiz de Timóteo, em Minas Gerais, condenou a mulher suspeita de matar cinco filhos com veneno e asfixia entre 2007 e 2023. Presa em Portugal, ela será julgada por homicídio qualificado e coação de testemunhas.
Presa desde o ano de 2025, a mulher suspeita de matar cinco dos seus filhos e tentar tirar a vida de um sexto será levada a um júri popular na cidade de Timóteo, situada no Vale do Aço, em Minas Gerais. Ainda não foi definida a data exata para que o julgamento ocorra. Informações detalhadas sobre esse caso, que causou grande comoção na população mineira, foram divulgadas nesta terça-feira, 27, pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
A decisão de submeter a ré ao julgamento do Tribunal do Júri foi tomada pela juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes, que atua na Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Timóteo. A determinação atende diretamente à denúncia formalizada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
- Vítimas tinham idades que variavam de 10 meses a 3 anos de idade.
- Os crimes foram cometidos ao longo de um período de 16 anos, de 2007 a 2023.
- A acusada utilizou veneno, medicamentos controlados e asfixia para matar as crianças.
- Ela foi presa em Coimbra, Portugal, após estar foragida desde 2024.
- O Ministério Público aponta que a ré via os filhos como um fardo e sentia ódio por eles.
Métodos cruéis usados contra as crianças
Conforme exposto na denúncia, os crimes teriam sido cometidos em um intervalo entre 2007 e 2023, abrangendo as cidades de Jaguaraçu e Timóteo. O Ministério Público indicou que a suspeita enxergava os seus filhos como um fardo, demonstrando um sentimento total de egoísmo associado ao ódio em relação às vítimas.
Em todas as ocasiões, a acusada teria ministrado, de maneira contínua, substâncias tóxicas, veneno e medicamentos de uso controlado aos seus filhos. Em alguns casos, ela teria, inclusive, asfixiado as vítimas, que tinham idades entre 10 meses e 3 anos.
A mulher responderá perante o Tribunal do Júri considerando qualificadoras graves. Entre elas estão o motivo torpe, o emprego de veneno ou de meio insidioso e cruel, a asfixia e o uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas.
Constrangimento de testemunhas e prisão preventiva
Além dos homicídios, entre abril e setembro de 2025, a mulher ainda teria constrangido e ameaçado testemunhas e informantes. O objetivo era interferir nas apurações da polícia. Por esse motivo, ela também responderá pelo crime conexo de coação no curso do processo.
A decisão judicial manteve a prisão preventiva da acusada, negando-lhe o direito de responder ao processo em liberdade. A defesa da ré alegou ausência de provas e de indícios de autoria, citando o indeferimento de um incidente de insanidade mental. Eles também solicitaram a impronúncia e o afastamento das qualificadoras.
Prisão em Portugal após fuga para a Europa
A suspeita foi presa no ano passado na cidade de Coimbra, em Portugal. Ela estava foragida desde o início de 2024 e era procurada pela Interpol. De acordo com a Polícia Civil, a mulher fugiu para a Europa em 2023, pouco depois de cometer o último dos crimes.
As investigações sobre o caso começaram quando a polícia recebeu a informação de que o quinto filho da mulher teria morrido de forma semelhante à dos irmãos. A denúncia inicial foi feita pela tia da criança.


Juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes proferiu a decisão de pronúncia na Vara Criminal de Timóteo (Divulgação / TJMG)


