28 de outubro de 2026

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Servidor de Tacuru é afastado após ameaçar envenenar indígenas em áudio

Polícia Racismo 28/10/2026 14:31 Folhamax folhamax.com Tacuru MS

Prefeito confirma afastamento de funcionário que sugeriu matar indígenas após eleições. Governo federal aciona PF para investigar o caso e possível racismo contra povos originários em Mato Grosso do Sul.

O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, confirmou que um áudio em que uma pessoa sugere envenenar indígenas da região pertence a um servidor público do município. O chefe do executivo explicou que o funcionário foi afastado imediatamente das suas funções. Além disso, ele será alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a gravidade da conduta. O nome do servidor não foi divulgado publicamente por agora.

A suspeita de que a declaração tenha partido de um funcionário da prefeitura surgiu após a reeleição do presidente Lula e foi denunciada por lideranças indígenas nesta terça-feira (27). O caso teve grande repercussão e levou o governo federal a acionar a Polícia Federal (PF) para investigar as ameaças registradas em áudio.

  • Um servidor público de Tacuru foi afastado após ameaçar indígenas em um áudio.
  • O áudio, que circula desde o dia das eleições, sugere colocar veneno na água.
  • A Polícia Federal foi acionada pelo Ministério dos Povos Indígenas para investigar.
  • O cacique da Aldeia Sassoró promete buscar responsabilização criminal e cível.
  • O caso é parte de uma onda de denúncias de violência contra indígenas em MS.

De acordo com Torquetti, o áudio circula nas redes sociais desde domingo (25), dia do segundo turno das eleições. A ameaça teria sido direcionada especificamente aos moradores da Aldeia Sassoró, em Tacuru. Em um vídeo publicado no Instagram, o prefeito negou que o servidor atuasse na distribuição de água no município, função que poderia agravar a suspeita de envenenamento.

Esse servidor, um excelente servidor, inclusive, trabalha na infraestrutura, com caminhão-caçamba. De antemão, até o momento a gente não foi intimado por nenhuma esfera. Nosso jurídico entendeu que um processo administrativo será aberto e que o servidor será afastado, afirmou o prefeito.

O prefeito também ressaltou que a administração municipal está à disposição para prestar esclarecimentos sobre o caso e colaborar com as autoridades. Ele reforçou que a gestão não compactua com atos de violência ou preconceito.

O prefeito de Tacuru já havia publicado nas redes sociais outro vídeo gravado na Aldeia Sassoró, ao lado de uma moradora da comunidade. Na gravação, ele afirmou que as divergências políticas após as eleições não deveriam provocar conflitos. Torquetti pediu desculpas pelas falas registradas no áudio e implorou que a comunidade perdoasse as pessoas que gravaram o áudio, caso as falas tivessem causado ofensa.

Investigação da Polícia Federal

Fatos24horas

O governo federal acionou a Polícia Federal (PF) para investigar denúncias de ameaças e manifestações racistas contra povos indígenas de Mato Grosso do Sul. As investigações foram intensificadas após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Entre os relatos enviados às autoridades estão denúncias de mortes, atropelamentos e ameaças em outras cidades do estado. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) e a Polícia Federal informaram que não confirmaram mortes diretamente relacionadas à violência política até o momento.

As denúncias ganharam ampla repercussão após publicações nas redes sociais feitas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB). A entidade acionou o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), que encaminhou à PF uma denúncia específica sobre o caso de Tacuru e pediu a apuração rigorosa dos fatos.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que o governo federal mapeia denúncias de ameaças e violência contra comunidades indígenas, quilombolas e povos de terreiro em Mato Grosso do Sul e em outras regiões do país. Segundo ele, os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial formaram uma força-tarefa para dar prioridade aos casos.

Tomei conhecimento ontem deste fato gravíssimo e ontem mesmo nossa equipe fez contato, qualificou as informações e ontem mesmo acionei a Polícia Federal, afirmou o ministro ao g1.

Denúncia de falas racistas

O Ministério dos Povos Indígenas encaminhou à Polícia Federal, na segunda-feira (26), uma denúncia apresentada por um representante da Aldeia Sassoró, em Tacuru. Segundo o documento ao qual o g1 teve acesso, a comunidade relatou manifestações racistas e discriminatórias atribuídas a pessoas supostamente ligadas à prefeitura do município.

Conforme a denúncia, áudios que teriam circulado em um grupo de WhatsApp mencionam a possibilidade de colocar substâncias tóxicas na água consumida pelos moradores. A autenticidade das gravações, a identidade dos participantes e as circunstâncias da conversa estão sendo apuradas pelas autoridades.

O documento também informa que as pessoas citadas estariam ligadas à prestação de serviços públicos na aldeia, como o abastecimento de água por caminhão-pipa e a coleta de resíduos da escola e do posto de saúde. O vínculo com a prefeitura aumenta a gravidade da acusação.

O ministério pediu à PF que investigue a origem e a autenticidade dos áudios, identifique os responsáveis e avalie se houve crime. Também solicitou a análise de medidas preventivas para proteger a comunidade e garantir a segurança da água consumida pelos moradores.

O próprio MPI informou no documento que não há comprovação de que a água tenha sido contaminada, mas pediu investigação para afastar qualquer suspeita de envenenamento intencional.

Cacique busca responsabilização

O cacique Ivan Montiel, liderança da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, publicou um vídeo nas redes sociais em que condena as falas atribuídas a pessoas citadas na denúncia. Ele afirmou que pretende buscar a responsabilização dos envolvidos nas esferas criminal e cível, cobrando justiça.

No vídeo, Montiel disse que recebeu o áudio e a comunidade já identificou as pessoas envolvidas. A identidade dos citados e a participação deles no caso, no entanto, ainda precisam ser verificadas pelas autoridades competentes.

Eu gostaria de deixar aqui na condição de cacique e vereador da aldeia Sassoró que não vamos aceitar este tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água, afirmou.

Montiel também defendeu o direito dos indígenas de escolher livremente seus candidatos nas eleições. Porque nós povos indígenas temos o direito, como qualquer cidadão, de escolher quem vamos votar, disse. A Aty Guasu, Grande Assembleia dos povos Guarani e Kaiowá de Mato Grosso do Sul, também publicou uma manifestação contra o racismo, o preconceito e as ameaças denunciadas.

APIB relata violência em outras cidades

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil informou que acionou órgãos federais após receber denúncias de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul. Segundo a entidade, os relatos incluem casos ocorridos após o segundo turno das eleições presidenciais.

Entre os casos citados pela APIB estão mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças de morte e manifestações racistas. A entidade também relatou suspeitas de envenenamento da água em comunidades de Tacuru e Nioaque.

A organização encaminhou um ofício e uma representação criminal ao Ministério Público Federal (MPF), à Polícia Federal e a órgãos do governo federal, incluindo os ministérios da Justiça e Segurança Pública, dos Povos Indígenas e dos Direitos Humanos e da Cidadania.

A APIB pediu a investigação dos casos, a proteção das comunidades ameaçadas e a apuração de possíveis omissões das forças policiais no atendimento às denúncias.

Em nota, a entidade manifestou preocupação com os relatos e cobrou medidas para proteger as comunidades indígenas e responsabilizar os envolvidos, caso as denúncias sejam confirmadas.

Um indígena, que não teve o nome divulgado, morreu após ser atropelado na madrugada de sábado (24), na MS-289, no trecho entre Coronel Sapucaia e Amambai. Ainda não se sabe a circunstância do acidente que acabou em morte.

Sejusp nega genocídio

Procurada pelo g1, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul afirmou que não procede à afirmação de ocorrência de genocídio contra povos indígenas no estado.

Em nota, a pasta declarou que as forças de segurança atuam quando acionadas para preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança das pessoas envolvidas. Leia a nota na íntegra abaixo:

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS) informa que não procede a afirmação de ocorrência de genocídio de povos indígenas no Estado. As forças de segurança atuam mediante acionamento, com o objetivo de preservar a ordem pública, prevenir conflitos e garantir a segurança de todos os envolvidos, contribuindo para a manutenção da paz no campo e a prevenção de confrontos em áreas rurais.

O g1 também procurou o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Polícia Civil. O Cimi informou que apura as ocorrências.


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