02 de outubro de 2026

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Fake news com inteligência artificial invadem redes sociais antes da eleição

Política Eleições 02/10/2026 22:53 Hoje em Dia hojeemdia.com.br

Levantamento aponta que mais de 550 vídeos e imagens falsas (deepfakes) foram postadas nas redes em 40 dias de campanha. O TSE proibiu o uso desses conteúdos, e candidatos que os divulgarem podem ter a candidatura cancelada.

Na campanha para o 1º turno das eleições gerais de 2026, pelo menos 554 vídeos e imagens do tipo "deepfake" foram publicados nas redes sociais. O dado é do projeto VigIA, da agência de checagem Lupa, que monitora o uso de inteligência artificial no pleito.

Dessas publicações, 29 foram disseminadas por perfis oficiais de candidatos ou partidos, o que pode gerar sanções jurídicas. Deepfakes são conteúdos produzidos ou editados com ferramentas de IA a partir da imagem de uma pessoa real, manipulada de forma que ela apareça falando frases ou realizando atos que não são reais.

  • Mais de 550 deepfakes foram publicados em 40 dias de campanha.
  • O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu essas publicações.
  • Usar IA sem sinalizar é proibido pela lei eleitoral.
  • Lula e Flávio Bolsonaro são as figuras mais usadas nos fakes.
  • O projeto VigIA é fruto de parceria entre a Lupa e a Unicamp.

Risco de cassação e desafio na fiscalização

O Tribunal Superior Eleitoral proibiu essas publicações, alertando que podem acarretar a cassação da candidatura ou do mandato. Para que a punição ocorra, no entanto, os conteúdos devem estar caracterizados como propaganda política e apresentar verossimilhança capaz de enganar o eleitor. A maioria das postagens falsas (525) foi feita por usuários comuns, incluindo muitos anônimos. Para a pesquisadora Beatriz Farrugia, isso revela um desafio para a aplicação da lei: "Se a gente quer bloquear de toda maneira a publicação de deepfakes pelo risco que impõe ao entendimento das pessoas sobre os eventos políticos, a gente precisa considerar que a maior parte desses conteúdos tem partido de contas de usuários e de avatares anônimos. Aqui a Justiça precisaria trabalhar com as plataformas para tentar identificar essas pessoas".

O uso de IA é permitido se sinalizado

O relatório identifica outra prática que contraria a legislação: o uso de IA é permitido, mas as peças devem ser sinalizadas. Dos 920 conteúdos identificados, apenas 371 (cerca de 40%) estavam devidamente rotulados como material feito com IA. Entre as 549 publicações irregulares, 75 foram feitas por candidatos ou partidos. A fundadora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila, afirma: "Quando encontramos quase um conteúdo com IA por hora e vemos que a maioria não sinaliza o uso da tecnologia, temos uma dimensão do desafio que esse cenário representa não só para o eleitor como para os órgãos fiscalizadores".

Método da pesquisa e parcerias

O VigIA coletou 1.941 conteúdos político-eleitorais suspeitos. Por enquanto, 972 imagens e vídeos foram analisados, com 920 casos confirmados de uso de IA. A investigação é feita em parceria com o Laboratório de Inteligência Artificial (Recod.ai) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Três ferramentas de detecção de IA são aplicadas para procurar indícios de uso dessas ferramentas, e depois o resultado passa pelo crivo dos pesquisadores. Além dos deepfakes, há conteúdos sintéticos, em que a tecnologia foi usada para criar ou modificar aspectos da publicação, sem imputar a uma pessoa fala ou atos que não aconteceram.

Lula e Flávio são os alvos principais

O cenário nacional foi mais explorado, com foco nas eleições presidenciais. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi a principal figura retratada, aparecendo em 379 publicações. Em seguida, vem Flávio Bolsonaro (PL), com 190 aparições. No caso de Lula, 39% das publicações eram de humor ou sátira e 34% buscavam atacar sua candidatura. Entre as publicações com Flávio Bolsonaro, 40% buscavam favorecê-lo e 28% traziam conteúdo humorístico. A predominância de usuários comuns se manteve, representando 47% dos autores, mas 27% das publicações partiram de perfis desconhecidos, proporção maior do que os 24,5% das contas oficiais das candidaturas.


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