A senadora Tereza Cristina ganha força para comandar o Ministério das Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, competindo diretamente com Eduardo Bolsonaro, e também disputa a presidência do Senado.
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) ganha força nos bastidores políticos como possível integrante do primeiro escalão de um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, a ex-ministra da Agricultura e Pecuária é cotada para assumir o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty.
A possibilidade colocaria Tereza Cristina no caminho de Eduardo Bolsonaro (PL), que também tem manifestado interesse em comandar a diplomacia brasileira. O ex-deputado federal é apontado como defensor de uma política externa mais alinhada ao governo dos Estados Unidos e ao grupo político ligado ao ex-presidente Donald Trump.
- Tereza Cristina disputa o posto de chanceler com Eduardo Bolsonaro.
- Ela também almeja a presidência do Senado, disputada com Rogério Marinho.
- Sua saída do Senado abriria vaga para o suplente Tenente Portela.
- A agricultura fica em aberto com nomes como Lupion, Mauro Mendes e Caiado.
- Ciro Nogueira pode voltar ao Planalto, apesar de investigações na PF.
Nos bastidores, Tereza Cristina seria vista como uma alternativa mais moderada para o cargo, capaz de reduzir tensões entre o eventual governo de Flávio Bolsonaro, o Supremo Tribunal Federal e setores do Congresso Nacional.
Senado é outro sonho
Apesar da possibilidade de assumir o Itamaraty, Tereza Cristina teria como principal objetivo político a presidência do Senado.
A disputa, porém, não seria simples. O cargo também é cobiçado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), um dos principais aliados de Flávio Bolsonaro e coordenador de sua campanha presidencial.
Marinho representa uma ala mais alinhada ao bolsonarismo radical e favorável ao enfrentamento do Supremo Tribunal Federal, inclusive com defesa de processos de impeachment contra ministros da Corte.
Tereza, por outro lado, seria considerada uma alternativa para construir uma relação menos conflituosa entre o Executivo, o Congresso e o STF.
Mudança abriria vaga no Senado
Caso Tereza Cristina aceite o comando do Itamaraty, a saída dela abriria uma vaga no Senado Federal para o primeiro suplente, Tenente Portela.
O suplente, que não conseguiu se eleger nas urnas, obteve 4.642 votos e terminou a disputa em 28º lugar.
Agricultura também está em disputa
A eventual saída de Tereza Cristina do cenário da Agricultura abriria outra disputa dentro da bancada do agronegócio.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) poderá apresentar nomes para comandar o Ministério da Agricultura em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Entre os cotados estão o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), atual presidente da FPA; o senador eleito por Mato Grosso e ex-governador Mauro Mendes; e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
A escolha deverá levar em consideração a força política de cada nome dentro do setor do agronegócio e sua capacidade de articulação com o Congresso.
Ciro Nogueira pode ganhar espaço
Outro nome que circula nas articulações é o do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
Aliado histórico do centrão e ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, Ciro poderá ocupar novamente uma posição estratégica no Palácio do Planalto em um eventual governo de Flávio.
Entre os cargos cogitados estariam a própria Casa Civil ou a Secretaria de Governo.
O senador também está no radar de investigações da Polícia Federal relacionadas a supostas vantagens e viagens custeadas pelo empresário Daniel Vorcaro. Eventual nomeação, portanto, poderia gerar pressão política e cobranças por esclarecimentos.
Disputa pelo poder
As articulações mostram que, antes mesmo de uma eventual vitória eleitoral, o grupo de Flávio Bolsonaro já enfrenta uma disputa interna pela composição do futuro governo.
De um lado, nomes mais próximos da ala ideológica do bolsonarismo defendem uma política externa de confronto e maior alinhamento com os Estados Unidos. De outro, setores do centro político buscam nomes com maior capacidade de diálogo com o Congresso e o Judiciário.
Nesse cenário, Tereza Cristina aparece como uma das peças mais importantes do tabuleiro: pode disputar o comando do Senado, assumir o Itamaraty ou permanecer como uma das principais referências do agronegócio no Congresso.


Senadora Tereza Cristina (PP-MS)


