15 de outubro de 2026

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Justiça mantém ordem de prisão e empresário segue fugindo da polícia

Política Operação Gutenberg 15/10/2026 06:43 Pauta Diária pautadiaria.com.br

O empresário Heyder Bartz não conseguiu reverter sua ordem de prisão na Operação Gutenberg. Ele é apontado como um dos responsáveis por um esquema que desviou milhões de contratos públicos de livros em Mato Grosso do Sul. Com a decisão, ele continua foragido enquanto os demais investigados têm medidas cautelares definidas.

A Justiça decidiu manter a ordem de prisão contra o empresário Heyder Bartz, que continua foragido desde o início da Operação Gutenberg. Ele é considerado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) um dos líderes da organização suspeita de desviar milhões de reais de contratos públicos.

Essa nova derrota ocorre porque os advogados de Bartz já haviam perdido um pedido de liberdade em uma instância anterior do tribunal. Eles tentaram convencer o juiz de que ele não trabalhava mais na empresa investigada na época dos fatos, argumentando que não havia risco de ele atrapalhar a apuração dos crimes.

Principais pontos da Operação Gutenberg

  • A operação foi deflagrada em 7 de julho para investigar fraudes na compra de livros por prefeituras de Mato Grosso do Sul.
  • A família Jafar é apontada como o núcleo central do esquema, utilizando a Editora Avante para gerenciar os recursos.
  • O ex-chefe da regulação de saúde, Ed Carlo Britto Burgatt, é suspeito de ter interferido em contratos municipais para beneficiar o grupo.
  • Dinheiros de prefeituras foram sacados em espécie e transferidos para familiares e empresas de terceiros para ocultar a origem.
  • A decisão judicial final mantém Heyder Bartz foragido, enquanto outros investigados estão presos ou em domicílio.

A defesa, porém, não conseguiu provar seu ponto. A análise técnica da Justiça levou em conta provas fortes de autoria e materialidade do crime. O tribunal também considerou a gravidade dos fatos, o tamanho da organização criminosa, os valores supostamente desviados e a sofisticação do método usado pelo grupo para operar.

Com essa decisão, Heyder Bartz segue fugindo da justiça e sem conseguir cancelar a ordem de prisão que pesa contra ele.

Clã Jafar e a interferência em contratos

Revelada no dia 7 de julho, a primeira fase da operação expôs suspeitas de um esquema que usava contratos públicos para fornecer livros paradidáticos a prefeituras de Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, o grupo ligado à família Jafar teria usado a influência política de Ed Carlo Britto Burgatt, ex-chefe da regulação estadual de saúde.

Burgatt é suspeito de ter agido para alterar o andamento de processos de contratação em municípios interessados em comprar os materiais. A apuração aponta ainda um papel central de Rossana Paroschi Jafar na gestão financeira e administrativa da Editora Avante. Ela teria dado ordens para repassar os recursos recebidos das prefeituras e responde a acusações de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.

Histórico da família e nova empresa

O caso também revela a trajetória empresarial da família, que já era alvo da Operação Lama Asfáltica, ligada à Gráfica e Editora Alvorada Ltda. Após a morte de Mirched Jafar Junior, em 2021, a investigação mostra que os familiares criaram uma nova empresa, a Editora Avante. Ela foi formalmente registrada como Souza & Fanaia Comércio de Livros, utilizando nomes de terceiros para manter o controle real.

Contratos milionários e suspeita de lavagem

Segundo a investigação, a Editora Avante fechou contratos de alto valor com várias cidades de Mato Grosso do Sul usando a modalidade de inexigibilidade de licitação. Isso permite a contratação direta em casos específicos previstos em lei. Entre os municípios citados na apuração estão Miranda, Ivinhema, Bonito, Ladário, Angélica e Dourados.

Os investigadores suspeitam que o próprio grupo criminoso preparava os modelos de orçamento e as justificativas usadas pelas administrações municipais para aprovar as contratações. Outra frente da investigação foca na movimentação do dinheiro. O dinheiro recebido das prefeituras teria sido distribuído através de saques em dinheiro vivo e transferências para familiares, empresas parceiras e outros envolvidos.

Como o dinheiro era ocultado

A investigação aponta suspeitas de que os suspeitos fracionavam os saques (dividiam o valor em partes menores) para dificultar o rastreamento por parte das autoridades. Além disso, houve repasses a empresários ligados a garagens de veículos, casas noturnas, postos de combustíveis e outros segmentos comerciais. Entre os investigados nesse contexto estão os empresários Douglas Henrique de Melo e seu pai, Paulo Rogério de Melo.

Lista completa de investigados e situação atual

A Operação Gutenberg alcançou empresários, membros da família Jafar, agentes públicos e outros suspeitos. A relação oficial inclui as seguintes situações:

  • Rossana Paroschi Jafar: apontada como integrante central da estrutura; está em prisão domiciliar.
  • Olívia Paroschi Jafar: médica; submetida a monitoramento com tornozeleira eletrônica.
  • Felipe Paroschi Jafar: empresário e ex-comissionado da Agesul; está preso.
  • Giovanni Paroschi Jafar: empresário; está preso.
  • Rhayane Souza Fanaia: responsável formal pela empresa; está presa.
  • Ed Carlo Britto Burgatt: ex-chefe da regulação de saúde; está preso.
  • Jéssyca Duarte Burgatt: empresária; está em prisão domiciliar.
  • Joatan Gomes Peixoto: empresário; está em prisão domiciliar.
  • Matheus Oliveira Peixoto: empresário; está preso.
  • Francisco Anízio dos Santos: empresário; está preso.
  • Douglas Henrique de Melo: empresário; está preso.
  • Paulo Rogério de Melo: empresário e pai de Douglas; está preso.
  • Gabriel Taquino de Paula: advogado; está preso.
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior: ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão; está preso.
  • Heyder Bartz: apontado como gestor do esquema; está foragido.
  • Inácio da Silva Espíndola: ex-vereador e ex-servidor da Casa Civil; não foi preso.

Pressão sobre a investigação e garantias

A nova negativa da Justiça mantém Heyder Bartz na condição de foragido e reforça o andamento das medidas judiciais relacionadas à Operação Gutenberg. O caso coloca sob escrutínio os contratos públicos de livros, os procedimentos de contratação direta e as movimentações financeiras que, segundo a investigação, podem ter sido utilizadas para ocultar a origem e o destino dos recursos públicos.

As acusações ainda devem ser examinadas no curso dos processos, com respeito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência. A atribuição de responsabilidade criminal depende de decisão judicial definitiva.


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