15 de outubro de 2026

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Política de família: Quem venceu e quem perdeu nas eleições de 2026

Política Eleições 15/10/2026 10:47 Arthur Stabile, G1 g1.globo.com

O 1º turno das eleições de 2026 revelou um cenário misto para os clãs políticos brasileiros. Famílias como Bolsonaro, Sarney, Arraes e Calheiros tiveram resultados variados, com vitórias em alguns estados e derrotas em outros. Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno contra Lula, enquanto a família Sarney deixou de ter representantes pela primeira vez desde 1954.

O 1º turno das eleições de 2026 definiu as principais disputas nacionais. O pleito registrou resultados variados para candidatos que fazem parte de famílias tradicionais com histórico na política brasileira. A votação também elegeu 21 governadores, 513 deputados federais e 54 senadores, incluindo nomes de pais, mães, cônjuges, filhos, netos, bisnetos e sobrinhos de políticos famosos.

Entre os destaques, a família Bolsonaro elegeu 4 de 6 integrantes que concorreram. Flávio Bolsonaro segue na disputa presidencial contra Lula no 2º turno, enquanto sua mãe, Rogéria, não foi eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro. Os tradicionais Calheiros perderam o governo de Alagoas e o Senado. Os Sarney, do Maranhão, deixaram de ter um representante político pela primeira vez desde 1954.

  • Quem venceu: Michelle e Carlos Bolsonaro (Senado), Jair Renan e Renato Bolsonaro (Câmara), Cid e Lucio Gomes (Senado e suplência), JHC, Dr. Furlan e Sergio Moro (Governo) e suas respectivas esposas.
  • Quem perdeu: Renan Calheiros e Renan Filho (Governo AL), Ciro Gomes (Governo CE), Eduardo Cunha (Câmara MG) e Roseana Sarney (Senado MA).
  • Repercussão: A família Sarney encerra 72 anos de representação ininterrupta após a derrota de Roseana no Senado.
  • Parcerias de casal: Três governadores eleitos também elegeram suas esposas para o Senado ou Câmara, mostrando força dos vínculos conjugais.
  • Novatos e veteranos: Alvinho Lira, de 20 anos, tornou-se o deputado federal mais novo eleito, enquanto Hugo Motta foi reeleito deputado, mas viu seu pai perder a disputa pelo Senado na Paraíba.

Famílias em ascensão e tradições centenárias

A família do ex-presidente Jair Bolsonaro teve quatro de seus seis integrantes eleitos. Michelle Bolsonaro (PL-DF) e Carlos Bolsonaro (PL-SC) venceram para o Senado. À Câmara dos Deputados, foram eleitos Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) e Renato Bolsonaro (PL-SC). A ex-mulher de Jair, Rogéria Bolsonaro (PL-RJ), perdeu a eleição para deputada federal. Seu filho, Flávio Bolsonaro, continua na corrida presidencial.

No Amapá, a família Calheiros sofreu reveses. Renan Filho (MDB) perdeu a disputa pelo governo de Alagoas, assim como seu pai, Renan Calheiros (MDB), que não se manteve no Senado. No entanto, Remi Calheiros (MDB) conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa de Alagoas. Já Renildo Calheiros (PCdoB-PE) não foi eleito deputado federal.

Em São Luís, no Maranhão, o deputado Josimar de Maranhãozinho não buscou a reeleição, mas garantiu a eleição de quatro familiares. Os sobrinhos Aldir Júnior (PL) e Fabiana Vilar (PL) foram eleitos deputados federais. A esposa, Detinha (PL), e o filho, Josimar Júnior (PL), venceram como deputados estaduais. Já a família Barbalho, no Pará, sofreu uma única derrota: Elcione Barbalho (MDB), esposa do ex-governador Jader, não foi eleita deputada estadual. Seus filhos, Helder Barbalho (MDB) e Jader Filho (MDB), foram eleitos para o Senado e Câmara, respectivamente.

Variedade de resultados em diferentes estados

Os familiares do ex-governador Miguel Arraes, de Pernambuco, tiveram cinco representantes nas urnas. Marília Arraes (PDT) foi eleita ao Senado. Maria Arraes (PSB) e Pedro Campos (PSB) venceram para a Câmara. Por outro lado, João Campos (PSB) perdeu a disputa pelo governo do estado, e Daniel Valença (PSOL) não conquistou uma cadeira na Assembleia local.

No Ceará, os Gomes apresentaram resultados mistos. Ciro Gomes (PSDB) perdeu a disputa pelo governo. Cid Gomes (PSB) foi eleito senador e levou seu irmão Lucio Gomes (PSB) como 2º suplente. Outra irmã, Lia Gomes (PSB), foi eleita deputada estadual. No Maranhão, a família Sarney viu seu legado interrompido. Com a derrota de Roseana Sarney (MDB) ao Senado, a família deixa de ter um representante político pela primeira vez desde 1954, quando José Sarney foi eleito suplente de deputado federal.

Na Paraíba, Hugo Motta (Republicanos), atual presidente da Câmara, foi reeleito deputado federal, mas seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), perdeu a disputa pelo Senado. Já Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, foi eleito senador e viu seu filho, Alvinho Lira (PP), se tornar o deputado federal mais novo do país, com apenas 20 anos. Eduardo Cunha (Republicanos), outro ex-presidente da Câmara, foi derrotado em Minas Gerais ao tentar voltar à Casa, mas sua filha, Dani Cunha (PL), foi eleita para o mesmo cargo.

O poder dos casais na política

Três governadores eleitos viram suas esposas vencerem nas urnas. Marina JHC (PSDB-AL), esposa de JHC, e Rayssa Furlan (Podemos-AP), esposa de Dr. Furlan, conquistaram vagas no Senado. Rosângela Moro, esposa de Sergio Moro (PL-PR), foi eleita para a Câmara dos Deputados. Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás, conseguiu eleger a esposa, Gracinha Caiado (União Brasil), para o Senado, mas não teve sucesso na disputa pela Presidência da República.

Outros casais políticos também se destacaram. O ex-ministro João Roma (PL) perdeu para o Senado, mas sua esposa, Roberta Roma (PL), foi eleita deputada federal. Eduardo Braga (MDB) foi reeleito senador no Amazonas e elegeu a esposa, Sandra Braga (MDB), como suplente. Esperidião Amin (PP-SC) perdeu a vaga no Senado, e a esposa, Angela Amin (PP), não conquistou uma cadeira na Câmara. Rogério Carvalho (PT-SE) manteve-se no Senado, mas sua esposa, Candisse Carvalho (PT-SE), não foi eleita à Assembleia local.

Também houve casos de maridos e esposas eleitos para as mesmas casas legislativas. Glauber Braga (PSOL-RJ) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP) foram eleitos à Câmara. Júlia Zanatta (PL-SC) foi eleita para a Câmara, e seu marido, Guilherme Colombo (PL-SC), para a Assembleia Legislativa. Os dados mostram que os laços familiares continuam sendo um fator decisivo nas eleições brasileiras, com resultados que variam conforme o carisma e a base política de cada clã.


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