17 de outubro de 2026

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Menos idosos estão desistindo de votar nas eleições: abstenção cai 10 pontos

Política Eleições 17/10/2026 20:51 Redação - Hora Campinas horacampinas.com.br

Uma pesquisa revelou que a participação de brasileiros com mais de 70 anos aumentou significativamente em 2026. Mesmo com o direito de não votar, mais idosos foram às urnas, sinalizando um crescimento da participação política desta parcela da população, impulsionada por campanhas e incentivos do governo federal.

A taxa de brasileiros com mais de 70 anos que deixaram de votar caiu cerca de 10 pontos percentuais no primeiro turno das eleições. Esse dado foi levantado pelo Movimento Voto 70+, um grupo da sociedade civil sem vínculo com partidos políticos, que atua para incentivar a participação política de idosos.

Segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) organizadas pelo movimento, a abstenção nessa faixa etária caiu de 58,8% em 2022 para 49,1% no primeiro turno de 2026. Para comparação, a abstenção geral do eleitorado brasileiro em 2026 foi de 21,08%, o que significa que aproximadamente 33 milhões de brasileiros em idade de voto deixaram de comparecer às urnas.

  • A abstenção de idosos caiu de 58,8% (2022) para 49,1% (2026).
  • O eleitorado acima de 70 anos cresceu de 14,9 milhões para 17,2 milhões de pessoas.
  • Entre os 70 e 74 anos, 68,77% foram votar; já entre os 95 e 99 anos, apenas 4,34% compareceram.
  • O voto de idosos pode ser usado pelo INSS como prova de vida automática para aposentados e pensionistas.
  • Em 2022, 64% das mulheres com mais de 70 anos não votaram, número 10 pontos maior que o de homens.

O voto não é obrigatório para pessoas com mais de 70 anos, assim como para analfabetos e jovens de 16 e 17 anos. No dia da votação, eleitores com mais de 80 anos têm prioridade nas filas das seções eleitorais. Os dados detalhados de comparecimento por faixa etária, obtidos no site da Corte Eleitoral, mostram a seguinte distribuição: de 70 a 74 anos, 68,77% votaram; de 75 a 79 anos, 52,23%; de 80 a 84 anos, 37,12%; de 85 a 89 anos, 24,30%; de 90 a 94 anos, 13,46%; e de 95 a 99 anos, 4,34%.

Expansão do eleitorado e avanço na participação

A queda na abstenção ocorreu em um contexto de crescimento do número de eleitores idosos. O total de pessoas com mais de 70 anos aptas a votar subiu de 14,9 milhões em 2022 para 17,2 milhões em 2026. Se considerados também os cidadãos com mais de 60 anos, o grupo atinge 36,8 milhões de eleitores.

Para Cléa Klouri, idealizadora do Movimento Voto 70+, esse aumento no comparecimento é um avanço significativo. A especialista explica que é um sinal de que envelhecer não significa necessariamente se afastar da vida pública. Estamos falando de uma geração que ajudou a construir o país e que continua tendo muito a contribuir para as decisões sobre o próprio futuro, afirma Cléa.

Barreiras e perfis de quem não vota

A pesquisadora Adriana de Queiroz explica que, para compreender as razões da abstenção nessa faixa etária, o Movimento Voto 70+ realizou a pesquisa exploratória Retratos do Voto 70+: descobertas sobre a abstenção eleitoral. O estudo identificou três principais perfis entre os eleitores com mais de 70 anos que não votaram ou estavam em dúvida sobre ir às urnas em 2026.

O primeiro perfil é o eleitor com baixa autoestima política, que acredita que o seu voto individual não faz diferença. O segundo é aquele que considera que o resultado da eleição não terá impacto significativo em sua vida pessoal. O terceiro grupo é composto por eleitores que desejam votar, mas enfrentam barreiras físicas e logísticas, como longas filas, distância do local de votação ou dependência de terceiros para se deslocar até a zona eleitoral.

Entender essas diferenças é importante para compreender por que um eleitorado que cresce tão rapidamente continua apresentando níveis tão elevados de abstenção, afirma Adriana, que é pesquisadora do Data8, centro focado em tendências e economia da longevidade.

Incentivos e campanha para o segundo turno

O Movimento Voto 70+ pretende intensificar o debate sobre os obstáculos que impedem o comparecimento dos idosos, focando em limitações de mobilidade, falta de rede de apoio e preconceito contra pessoas mais velhas (etarismo). No segundo turno, há um incentivo importante: o uso do voto pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para realizar a prova de vida automática de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas assistenciais. Em 2026, essa medida vale inclusive para quem não votou no primeiro turno.

Além disso, o movimento promoverá a campanha Vovó Vota no segundo turno. A iniciativa busca aproximar netas e avós durante as eleições, com o objetivo de enfrentar barreiras que afetam especificamente a abstenção feminina, como dificuldades de mobilidade, ausência de apoio familiar e desestímulo. Em 2022, dados do Data8 mostraram que 64% das mulheres com mais de 70 anos não votaram, um percentual 10 pontos superior ao registrado entre os homens da mesma idade.

A campanha oferece um guia digital com orientações práticas para organizar o deslocamento, conferir documentos e oferecer companhia às eleitoras que desejam comparecer às urnas.


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