A cantora Anitta comemorou a vitória de Lula, mas alertou que o Brasil está dividido e pediu que as pessoas cobrem os políticos eleitos, em vez de cobrar artistas. Ela também defendeu mais diversidade no STF e nos ministérios.
Anitta usou suas redes sociais para fazer um extenso desabafo sobre o resultado do pleito eleitoral no Brasil. Em tom de alívio e reflexão, a artista celebrou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, mas alertou para a necessidade de manter a cobrança sobre o novo governo e destacou o cenário de polarização e o peso da bancada conservadora no Congresso Nacional.
A artista iniciou seu pronunciamento descrevendo a atmosfera de ansiedade que marcou o período eleitoral e comentou o sentimento de divisão na sociedade brasileira:
- Anitta comemorou a vitória de Lula, mas alertou que o país está dividido.
- Ela pediu para as pessoas cobrarem os políticos eleitos, não os artistas.
- A cantora lembrou que o presidente não governa sozinho e que o Congresso terá maioria bolsonarista.
- Anitta exigiu mais mulheres e negros em cargos de destaque no STF e nos ministérios.
- Ela defendeu que todos torçam pelo sucesso do novo governo, mesmo se não votaram nele.
Bom dia com uma sensação de alívio, muito alívio. Acho que, finalmente, o Brasil inteiro vai respirar, né Porque estava todo mundo muito tenso, muita briga, muita confusão. E, obviamente, eu acho que a alegria de todos nós que votamos no Lula é porque estávamos com muito medo das possibilidades que aconteceriam no caso o outro lado ganhasse. Mas acho que, ainda assim, o Brasil inteiro não vence porque o Brasil está muito dividido, né E quando uma população, uma sociedade está assim tão dividida, com um ódio tão incitado entre si, eu acho que ninguém ganha totalmente, né A gente acaba operando com metade do nosso potencial e poderíamos estar muito mais fortes. Eu acredito que, acho que é por isso que até a gente tem Eu, né Fiquei feliz, celebrei. Mas, no fundo, fica uma tristeza por a gente ver a nossa população, o nosso país, que é tão potente, está tão rompido, né Partido ao meio com a sociedade, né A sociedade se odiando tanto. Eu espero que isso melhore nos próximos meses, nos próximos anos, isso vai melhorando.
O presidente não governa sozinho: o alerta de Anitta sobre o peso do Congresso
Porque, gente, é sempre bom lembrar, muito importante lembrar, que o presidente, ele não vai governar sozinho, né E esse era o ponto principal do grande medo das pessoas que votaram no Lula. Esse ano, na bancada, no Senado, os deputados, a grande maioria eleita foi uma maioria bolsonarista, né E o que isso significa Isso significa que, caso o outro lado tivesse ganhado a presidência, seria um poder quase que absoluto. E por isso era tão perigoso. Eu acho que por isso muita gente hoje está aliviada.
Porque, por mesmo lado, serve para quem vota no Lula agora. Gente, o presidente, ele não resolve tudo, né Ele não resolve tudo. Tem governadores, tem senadores, deputados, vereadores. A grande maioria eleita esse ano, no primeiro turno, foi uma maioria bolsonarista. E por isso era tão perigoso, por isso a gente estava com tanto medo, porque aí a gente teria um presidente com muito poder.
Agora, em contrapartida, a gente tem um presidente que vai ter um pouco menos de poder de ação, né Porque tem uma bancada aí de pessoas que não o querem, que não são apoiadores, não são apoiados por Lula e faz parte da política.
Da cobrança aos artistas ao engajamento político: o alerta de Anitta para o eleitorado
E isso é importante a gente lembrar, porque a gente precisa entender que nem tudo está nas costas do presidente. E que essas eleições mostraram, melhor do que qualquer coisa, que o povo tem muito poder. Quem elegeu o Lula foi o povo, o povo indo para as ruas, as pessoas se posicionando.
E aí a gente tem que lembrar disso durante esses quatro anos, para a gente usar a mesma energia que foi usada para cobrar os artistas para se posicionarem. Eu não estou aqui julgando essa cobrança, eu entendo cada um, tanto quem se posiciona como quem não se posiciona, está tudo certo, de verdade. Eu não tenho esse julgamento, está tudo bem.
Mas é importante a gente usar essa mesma energia que foi usada para continuar atento às questões que vão aparecer durante esses quatro anos de leis, de direitos, de problemas que alguns estados possam passar, que alguns lugares possam A gente mostrou que a gente tem muito poder de ação, porque isso é o povo. O povo cobrando, o povo se unindo com o propósito, né
Não sou do fã-clube: Anitta exige diversidade no STF e nos ministérios do novo governo
Eu espero aí que agora esse grupo que o André Janones montou, esse exército de pessoas tão ativas, que ele continue usando para pautas importantes para todos. Não é só vota em fulano, vota em Beltrão. Pautas, cobranças, porque a gente que votou no Lula, a gente também quer ter o direito de cobrá-lo, de questioná-lo, na hora de indicar pessoas para o STF.
Eu espero que ele se lembre de todo o apoio que recebeu do povo, dos artistas, das mulheres, que indique mulheres, como a gente já pediu antes, né Talvez se indicarem pessoas assim, imparcialmente, mulheres, pessoas pretas, porque tem milhares, bilhares de pessoas competentes aí para o cargo. A gente quer ter o direito de cobrar.
Não é porque a gente votou em Lula que agora tudo que ele faz, a gente é do fã clube do Lula e tudo que ele fizer a gente vai fazer. Ih, não pode falar mal. Não, inclusive agora, é o último mandato dele. A gente tem que ter o direito de cobrá-lo também.
Então vai vir aí a indicação de ministros que pensem nas mulheres, que pensem em diversificar esses poderes, essas pessoas aí no comando, né Que pensem em tudo, não nas pessoas que estavam na rua. Então não é porque a gente estava aqui se posicionando que a gente está agora, ajoelhou e olha, sou do fã clube, tudo que ele fizer eu vou aplaudir. Não, a gente é cidadão e a gente tem o direito de cobrar, de pedir, de ir para as ruas para pedir, mesmo que esse pedido seja para a pessoa que a gente votou, porque isso é a política e o povo mostrou isso. Indo para as ruas, se posicionando nas redes.
Sem lacração na internet: Anitta cobra trabalho real de prefeitos, governadores e parlamentares
E é muito importante, gente, que a gente mantenha essa preocupação durante mais quatro anos. É óbvio que ninguém vai aguentar ficar falando de política todo dia. Estava todo mundo com ansiedade, com tudo isso. É óbvio que não é essa energia, porém, é ficar atento porque a gente tem uma bancada de pessoas aí, de deputados, de senadores que foram eleitos esse ano, os vereadores também das outras eleições.
Então, a gente tem que usar essa mesma energia para cobrar essas pessoas. Agora que a votação acabou, chega de cobrar os artistas e vamos cobrar os políticos. Está tudo bem quem cobrou os artistas, gente, está tudo certo. Não estou aqui julgando, mais uma vez. Mas vamos cobrar os políticos, que eles façam coisas. Não fiquem só na internet lacrando, fazendo gracinha. Façam coisas para a gente, para o povo, independente de qual lado político eles são. Eles têm que trabalhar por nós e a gente tem que cobrá-los.
Então, vamos aproveitar esse engajamento que a gente colocou na nossa cabeça mesmo, de se manifestar, de cobrar, de se politizar, de aprender mais, para a gente acompanhar tudo que essas pessoas vão estar fazendo durante todo esse tempo. A gente tem que entender, a população tem que entender a diferença do prefeito para o governador. O prefeito cuida aqui da cidade. No caso do Rio de Janeiro, quem cuida de Niterói, Arraial do Cabo, Campos dos Goytacazes, Nova Iguaçu, Belford Roxo, são outros prefeitos. Quem cuida da cidade aqui do Rio, é Méier, Madureira, Botafogo, Ipanema, já é outro. Honório Gurgel já é o prefeito da cidade do Rio. Então, é muito importante a gente saber diferenciar também certas coisas para a gente saber cobrar.
Vão-se os políticos e ficam as ideias: Anitta prega fim do fanatismo e torcida pelo país
E falando nesse tema, gente, e eu também, gente, acho muito importante a gente não ficar torcendo para as coisas darem errado nos lugares onde a votação não foi do jeito que a gente queria. Caso a vitória fosse do 22 esse ano, eu não ia ficar torcendo para que a minha previsão desse certo e tudo desse errado no país, não. Eu ia torcer para que eu estivesse extremamente, redondamente enganada e para que tudo desse certo, porque o nosso país é o mais importante, gente.
O mais importante é o nosso país estar bem, a gente crescer, a gente vencer. Então, caso ele vencesse, eu ia torcer para que eu estivesse equivocadíssima e tudo desse certo. E tudo fosse maravilhoso para todos, para todos, para o pobre, para o rico, para o gay, para o indígena, para o preto, para todo, para o favelado, para o herdeiro. Eu ia querer que desse certo para todo mundo.
Então, nesse momento, a gente não tem que ficar aqui querendo estar certo. A gente ganhou a eleição da presidência, tudo bem, maravilhoso, que alívio, meu Deus, graças a Deus. Essa é a sensação. Porém, temos aí uma bancada de senadores, de deputados e essas pessoas precisam trabalhar para a gente. E a gente tem que torcer para que vários que a gente não goste, que a gente esteja enganado e que eles façam um bom trabalho, porque quem tem que se dar bem somos nós, no fim das contas.
Então, se estamos falando, por exemplo, aqui do Rio de Janeiro, no meu estado, o governador que ganhou não era o que eu gostaria, o que eu acreditava, mas eu estou torcendo para que eu esteja redondamente enganada, para que o governador que venceu seja ótimo e que dê tudo certo e que tudo fique bem e que eu esteja enganada. E se eu estiver, eu vou vir com a maior felicidade do mundo e falar, poxa, quebrei minha língua, torci.
Então, eu não estou aqui desejando, jamais, e acho que todos nós deveríamos fazer isso. Se o governador do seu estado não era quem você queria, se faz parte da bancada bolsonarista, cara, só torça para que ele arrase, para que ele faça tudo certo. Tudo não é impossível, ninguém faz tudo certo, mas para que seja muito positivo. É isso que eu estou torcendo agora, para que eu esteja errada. E com humildade a gente volta e fala, poxa, estava enganadíssimo, ele arrebentou, que bom, vamos lá.
Que a gente tenha vontade de reelegir, porque a pessoa arrebente, faça um ótimo trabalho e a gente fica feliz. Eu acho que a gente não pode agora atacar mais, acabou. O ataque acabou, a briga acabou, agora é daqui para frente. Vamos cobrar com seriedade, vamos cobrar com atenção. A campanha agora, nesse segundo turno da esquerda, já era das niníssimas, foi uma campanha com seriedade, falando de projeto, de coisa.
Então, gente, vamos manter na nossa cabeça essa ideia e esse estímulo de cobrar os políticos para trabalharem para o povo, para a gente, para todos. Independente se é o político que você queria, que você votou ou não, porque aqui não é jogo de futebol, não é quem ganhou ou quem perdeu. Todo mundo tem que ganhar, todo mundo tem que se beneficiar. Então, a gente tem que cobrar os políticos para que isso aconteça, para que todo mundo se beneficie.
Porque ninguém aqui pode ter um político de estimação. A gente tem que defender ideias que sejam favoráveis para a sociedade. Por quê Porque vão-se os políticos e ficam as ideias. Os políticos, eles vão, alguns anos vão passar, a pessoa morre, eu vou morrer, você vai morrer, vai todo mundo morrer. No fim das contas, vão nascer novas pessoas, mas o que não morre são as ideias. Ideias poderosas, importantes, de união, isso não morre. Então, a gente tem que defender essas ideias até o fim.


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