27 de outubro de 2026

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Trump critica eleição do Brasil e Lula e Alckmin rebatem críticas

Política Eleições 27/10/2026 08:16 Marcelo Brandão, Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br Brasília DF

O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a eleição brasileira de 'estranha' e 'possivelmente fraudada' devido à prorrogação do horário de votação. O vice-presidente Alckmin chamou a opinião de equivocada e defendeu a democracia brasileira. Trump, porém, garantiu boa relação com o presidente Lula.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou o processo eleitoral brasileiro nesta segunda-feira (26). Em conversa com jornalistas, ele criticou a decisão de estender o horário de votação, ecoando as alegações da campanha de Flávio Bolsonaro, que perdeu no segundo turno.

Trump declarou: "Acho que pareceu ruim a eleição, o jeito que foi organizada, com a prorrogação [do prazo de votação]. Muito estranho". O líder americano afirmou que a eleição "pareceu fraudada", embora não tenha detalhado seus argumentos.

  • Trump criticou a prorrogação do horário de votação no Brasil.
  • O vice-presidente Alckmin classificou as falas de Trump como "equivocadas".
  • Lula foi reeleito com mais de 64 milhões de votos.
  • Parlamentares dos EUA pediram para que Trump não interferisse na eleição.
  • Alckmin destacou a abertura de novos mercados para compensar tarifas americanas.

Relação com Lula

Questionado por um jornalista sobre a possibilidade de tomar medidas contra o governo brasileiro, Trump respondeu que não governa o Brasil e que possui uma boa relação com o presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu não governo o Brasil, eu governo os Estados Unidos. Eu só pensei que a eleição foi... eu gosto do Lula, me dou muito bem com ele", disse o presidente americano.

Prorrogação do horário

A decisão de ampliar o horário de votação foi tomada no domingo (25) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin. A medida levou o fechamento das urnas para as 19h, duas horas depois do normal, após registros de problemas no transporte coletivo em várias cidades do país. Lula garantiu a reeleição com mais de 64 milhões de votos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro obteve 59,8 milhões.

Resposta de Alckmin

Em entrevista à TV Vanguarda, em São Paulo, o vice-presidente reeleito Geraldo Alckmin respondeu às críticas de Trump. Ele classificou a opinião do presidente dos EUA como "totalmente equivocada". "Primeiro, não se interfere na política de outro país. Isso é uma regra basilar. Segundo, não tem nenhum referencial para dizer isso. O Brasil é um exemplo para o mundo, de urna eletrônica, segurança jurídica. Democracia você ganha eleição, você perde. É o povo que decide", argumentou Alckmin.

Negociações e Tarifas

Alckmin também discutiu a economia, ressaltando as negociações do Brasil com outros mercados internacionais como alternativa ao aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos. O vice-presidente afirmou que o país continua negociando com os vizinhos do norte. "Encerrada a eleição, vamos continuar a negociação com os Estado Unidos para ter um bom acordo. Estamos abrindo o mercado, fizemos acordo Mercosul-Singapura, Mercosul-União Europeia e estamos bem encaminhados para um acordo Mercosul-Canadá. Mesmo com o tarifaço batemos recorde de exportação", declarou.

Posicionamento de Parlamentares EUA

Embora Trump tenha afirmado que não escolheu lados na disputa presidencial brasileira, parlamentares dos Estados Unidos agiram de forma diferente. Um grupo de representantes chegou a formalizar um pedido à Casa Branca solicitando que Trump não intervisse em favor de Flávio Bolsonaro. Essa ação demonstrou falta de consenso no governo americano sobre o apoio ao candidato derrotado.

Em 24 de setembro, 31 parlamentares do partido democrata enviaram uma carta criticando o "esforço coordenado" do governo Trump para ameaçar a aliança estratégica dos EUA com o Brasil e enfraquecer a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental. Na carta, os democratas acusaram a administração americana de tomar medidas para tentar garantir a vitória de Flávio, incluindo a imposição de tarifas às mercadorias brasileiras para evitar a condenação de Jair Bolsonaro por golpe de Estado e a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do STF Alexandre de Moraes.


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