Gestantes de alto risco do Hospital Estadual de Sumaré relatam cancelamento de consultas de pré-natal após a saída de 18 médicos. A instituição afirma que reposicionou a equipe e prioriza gestantes, mas pacientes continuam em espera por avaliações essenciais para a saúde da mãe e dos bebês.
Gestantes de alto risco atendidas no Hospital Estadual de Sumaré (HES) estão sofrendo com o cancelamento sucessivo de consultas de pré-natal. Essa situação dificulta a manutenção do acompanhamento médico necessário durante a gravidez. O problema surgiu após a demissão de 18 profissionais nas áreas de ginecologia e obstetrícia, fato confirmado pela instituição, que afirma ter reposicionado o quadro de funcionários e estar reorganizando as agendas.
Um dos casos mais preocupantes é o de Alessandra Barrocal, moradora de Hortolândia, que está grávida de gêmeos e trata diabetes gestacional. De acordo com relatos publicados pela EPTV e pelo g1 Campinas nesta quarta-feira (30), ela teve três consultas consecutivas canceladas desde setembro e alega que não é avaliada por um médico desde agosto.
- 18 médicos de ginecologia e obstetrícia saíram do Hospital Estadual de Sumaré em setembro.
- A instituição afirma que já repôs as vagas e conta com 45 médicos na especialidade hoje.
- Uma paciente grávida de gêmeos teve três consultas canceladas seguidas e ficou sem avaliação médica por um mês.
- No período de janeiro a agosto de 2026, o hospital realizou 1.136 consultas de pré-natal.
- Gestantes de alto risco têm prioridade no agendamento, mas a continuidade dos atendimentos segue sob questionamento.
A gestante explicou que o acompanhamento estava normal desde maio, quando foi encaminhada pela rede municipal de saúde para o hospital. Porém, à medida que a gravidez avançava, a frequência dos retornos deveria aumentar. Em vez disso, os agendamentos começaram a ser cancelados na véspera das consultas.
Pacientes relatam insegurança com falta de acompanhamento
Eu tive três agendamentos e os três cancelados, disse Alessandra à EPTV. A falta de informações sobre a evolução da gestação aumentou a preocupação da paciente, que necessita de cuidados especiais devido à gravidez de gêmeos e à diabetes gestacional.
Desligamento de médicos e reposição da equipe
O Hospital Estadual de Sumaré confirmou a redução da equipe médica em setembro, após a saída de 18 profissionais de ginecologia e obstetrícia. A instituição, no entanto, afirma que as vagas foram preenchidas ao longo do mês e que trabalha para normalizar as agendas.
Em nota oficial, o hospital informou que o serviço conta atualmente com 45 médicos e que as gestantes possuem prioridade no agendamento das consultas de pré-natal. A instituição também apresentou dados da produção assistencial entre janeiro e agosto de 2026, que incluem:
- 1.821 consultas ambulatoriais em ginecologia e obstetrícia, sendo 1.136 de pré-natal;
- 3.621 atendimentos de urgência;
- 1.430 partos;
- 668 cirurgias.
Embora os números mostrem o volume de atendimentos realizados, eles não esclarecem quantas consultas de pré-natal foram efetivamente canceladas nem qual é o tempo médio de espera para remarcação.
Resolução de caso específico e dúvidas sobre o cenário geral
No caso de Alessandra, uma nova consulta tinha sido agendada inicialmente para o dia 8 de outubro. Após a família buscar explicações na ouvidoria do hospital, a instituição informou que entrou em contato com o marido da paciente para antecipar o atendimento para a quinta-feira, 1º de outubro.
Este novo agendamento representa uma resposta pontual ao caso relatado, mas as informações divulgadas não permitem dimensionar quantas outras gestantes enfrentaram cancelamentos ou se a reorganização da equipe já normalizou os atendimentos para todos os pacientes.
Importância do pré-natal para gestações de alto risco
O pré-natal é fundamental para acompanhar a saúde da gestante e o desenvolvimento do bebê, além de identificar fatores de risco que podem exigir avaliações mais frequentes e cuidados específicos. Em gestações consideradas de alto risco, a continuidade do acompanhamento é especialmente importante para que a equipe de saúde avalie a evolução da gravidez e defina as condutas necessárias para cada caso.
O relato das pacientes e a resposta do hospital colocam em pauta a regularidade dos atendimentos e a capacidade da instituição de manter o acompanhamento programado durante períodos de mudanças na equipe médica.


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