13 de outubro de 2026

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Médicos lembrados e homenageados no Dia do Médico em 18 de outubro

Saúde Medicina 13/10/2026 21:01 Carmino de Souza - Hora Campinas horacampinas.com.br Campinas SP

O professor da Unicamp Carmino de Souza, médico há quase 50 anos, reflete sobre as mudanças na medicina, a importância da atualização constante dos profissionais e presta tributo à coragem dos médicos durante a pandemia da Covid-19, destacando a criação das vacinas e a resiliência do sistema de saúde.

Neste 18 de outubro, celebramos o Dia do Médico. Sou médico desde 1975, da chamada "velha guarda", com quase 50 anos de carreira. Muito mudou desde aquela época. A faculdade onde me formei, a FCM Unicamp, não é mais a mesma.

Antigamente, era uma escola focada no ensino básico, com alunos e professores convivendo diariamente no prédio histórico da Santa Casa, que tinha enfermarias enormes com mais de 30 pacientes indigentes. Com a criação do SUS, isso infelizmente deixou de existir. Hoje, é um complexo enorme que ensina em todos os níveis (graduação e pós-graduação), pesquisa na mais alta qualidade, colocando a universidade como líder mundial em ciências da vida, e oferece cursos de extensão para milhares de alunos todos os anos nas grandes instalações do campus.

Mudanças na medicina e tecnologia

  • A medicina saiu de um trabalho "artesanal" para uma área altamente tecnológica e especializada.
  • São publicados cerca de 2 milhões de artigos científicos por ano nas áreas de saúde.
  • Médicos precisam estudar todos os dias para acompanhar as novas tecnologias.
  • O desafio é filtrar informações: separar o que é válido do que é apenas modismo.
  • A cooperação entre profissionais é essencial para avançar com segurança.

A medicina também mudou radicalmente. De um trabalho mais "artesanal", com poucos recursos de laboratório e imagem para diagnóstico, e com poucas opções de medicamentos ou procedimentos, transformou-se em uma área altamente especializada e equipada. Existem hoje crescentes métodos para diagnosticar e tratar doenças.

Os desafios são grandes. A tecnologia avança de forma impressionante, com cerca de dois milhões de publicações científicas por ano. É difícil acompanhar tudo e separar o que realmente funciona do que é apenas moda. Para isso, o médico precisa estudar praticamente todos os dias. Devemos ter cuidado com a "toxicidade informativa", evitando modismos e esperando dados científicos sólidos antes de mudar nossa prática.

Homenagem à atuação na pandemia

Em 2024, não podemos esquecer nosso papel fundamental no enfrentamento da pandemia do SarsCov2 e no tratamento da Covid-19. Nenhum de nós esquecerá essa crise que mudou drasticamente nossas vidas. Precisamos exaltar todos os profissionais de saúde que mostraram compromisso profissional, ético e social.

Como secretário de saúde de Campinas à época, vi esse compromisso de perto. Nossa geração jamais imaginou viver o que vivemos. Trabalhamos em todos os segmentos, nos expondo sabendo que nosso juramento seria testado ao limite. Em muitos momentos, quis transferir colegas para funções mais protegidas. Mas a resposta era sempre: "quero manter meu trabalho na linha de frente assistencial".

Nunca vi tamanha solidariedade e cooperação entre hospitais, universidades e associações médicas. Enquanto a sociedade era orientada a manter o distanciamento social, os profissionais de saúde ficaram em seus postos. Muitas vezes, o trabalho se intensificou devido à escassez de profissionais. A sensação era de enfrentar uma avalanche, um tsunami.

Lições da ciência e o futuro da profissão

Por vezes, senti que não sobreviveríamos a esse inimigo invisível. Apenas a força do trabalho, da solidariedade e da ciência, que trouxe vacinas em um horizonte curto de tempo, atenuava a desesperança. Não podemos esquecer os colegas que perderam a vida nesse enfrentamento. São nossos heróis, vítimas de seu compromisso com a sociedade, e devem ser lembrados para sempre.

E o rebote após a pandemia Ficou para trás um represamento de diagnósticos e tratamentos. É difícil quantificar, mas continuamos trabalhando para promover o bem-estar da população. Hoje, a sociedade tem a dimensão exata do valor do nosso trabalho.

Como professor de medicina na Unicamp desde 1979 (45 anos de magistério), deixo minhas homenagens aos colegas de todas as gerações. Vocês são grandes e serão sempre um porto seguro para a sociedade.

Para Campinas, uma informação importante: a Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas (SMCC) completará 100 anos em 2025. Nesse mesmo ano, completarei 50 anos de formado. Que possamos comemorar esses feitos com saúde, energia e projetos para o futuro.


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