14 de outubro de 2026

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Colesterol alto e glicose: sinais silenciosos na infância exigem atenção dos pais

Saúde Infancia 14/10/2026 19:41 Bruno Camargos | Tribuna do Paraná tribunapr.com.br

Endocrinologistas alertam que alterações no colesterol e na glicose podem ocorrer em crianças sem sintomas visíveis. Médicos recomendam exames regulares, hábitos saudáveis de sono e brincadeira, além da manutenção rigorosa da carteira de vacinação, incluindo doses para gestantes, para garantir um desenvolvimento saudável e prevenir doenças futuras.

A infância é um período marcado por descobertas, aprendizado e novas amizades. No entanto, no meio da rotina escolar e das brincadeiras, a saúde da criança exige atenção constante, e não apenas quando surgem sintomas de doenças. Consultas médicas periódicas e exames diagnósticos, quando indicados por um profissional, são fundamentais para acompanhar o desenvolvimento físico. Esses procedimentos ajudam a identificar alterações silenciosas, como o aumento do colesterol, dos triglicérides e alterações na glicose no sangue.

De acordo com a endocrinologista Flávia Pieroni, do grupo Dasa em Minas Gerais, o colesterol elevado e as alterações na glicose não são exclusividade dos adultos. Eles também podem aparecer nas crianças, muitas vezes sem dar nenhum sinal. O perfil lipídico mostra como estão os níveis de colesterol e triglicérides, enquanto a glicemia e a hemoglobina glicada ajudam a avaliar o metabolismo da glicose. São exames que podem trazer informações importantes sobre a saúde da criança, mas isso não significa que todos precisem ser feitos de rotina, explica a médica.

  • Exames de rotina podem detectar colesterol e glicose alterados sem sintomas aparentes.
  • A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda a avaliação lipídica entre 9 e 11 anos.
  • Hábitos de sono, exercício físico e redução do tempo de tela são essenciais para a saúde.
  • A vacinação é um pilar preventivo que começa na gestação e se estende à adolescência.
  • Em caso de atraso, não é necessário reiniciar o esquema vacinal, apenas atualizá-lo.

Colesterol alto e a importância da avaliação periódica

O controle do colesterol merece atenção mesmo entre crianças que não apresentam excesso de peso. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, recomenda a avaliação do perfil lipídico (colesterol e gorduras no sangue) entre 9 e 11 anos, independentemente da presença de outros fatores de risco. Quando há histórico familiar de colesterol elevado ou doenças cardiovasculares precoces, essa investigação pode começar antes, conforme orientação médica.

Além das consultas e dos exames laboratoriais, os hábitos dentro de casa fazem toda a diferença. É na rotina da família que as crianças começam a desenvolver sua relação com a alimentação, as atividades físicas e o descanso.

Rotina saudável: movimento, sono e alimentação equilibrada

Flávia Pieroni destaca a importância do ambiente familiar no comportamento da criança. Não adianta cobrar que a criança se movimente mais se ela passa o dia inteiro diante das telas e não encontra oportunidades para brincar. Dormir bem, correr, andar de bicicleta, ter uma alimentação balanceada e passar menos tempo no celular ou na televisão são cuidados que precisam fazer parte da rotina. Quando a família participa, fica mais fácil transformar essas atitudes em hábitos que a criança leva para a vida, orienta a especialista.

Vacinação em dia: proteção desde o nascimento

Outro ponto que merece atenção dos pais é a caderneta de vacinação. Algumas vacinas são aplicadas nos primeiros meses de vida, enquanto outras exigem reforços ou são indicadas em idades específicas. Por isso, é importante acompanhar o calendário vacinal mesmo depois que a criança cresce.

Entre as vacinas importantes na infância, estão as de poliomielite, pneumocócica, tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, e DTP, contra difteria, tétano e coqueluche. Também merecem atenção as vacinas meningocócicas, contra o HPV, indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e contra a gripe, conforme as recomendações do Ministério da Saúde, explica Rosana Richtmann, infectologista do Laboratório Exame.

Ela reforça que a proteção deve continuar ao longo do crescimento, com imunizantes disponíveis gratuitamente na rede pública e outras opções na rede particular. Muitas dessas vacinas são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e também estão disponíveis na rede particular, que conta com opções adicionais de proteção. É importante lembrar que a vacinação não termina nos primeiros anos de vida. Há doses e reforços que precisam ser feitos ao longo da infância e da adolescência.

A importância da vacinação para gestantes

A proteção da criança pode começar antes mesmo do nascimento. Durante a gestação, vacinas como a dTpa, contra difteria, tétano e coqueluche, e a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) ajudam a proteger o bebê nos primeiros meses de vida.

A vacinação da gestante permite a transferência de anticorpos para o bebê pela placenta. É uma proteção importante, principalmente contra doenças como a coqueluche e as infecções respiratórias causadas pelo VSR, que podem ser graves nos primeiros meses de vida, explica Rosana Richtmann.

Como regularizar a carteira de vacinação

Se alguma vacina estiver atrasada, a orientação é procurar um serviço de vacinação com a caderneta em mãos. Na maioria dos casos, não é necessário recomeçar o esquema. Um profissional de saúde poderá avaliar quais doses faltam e orientar a atualização conforme a idade e o histórico vacinal da criança.


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