Endocrinologistas alertam que alterações no colesterol e na glicose podem ocorrer em crianças sem sintomas visíveis. Médicos recomendam exames regulares, hábitos saudáveis de sono e brincadeira, além da manutenção rigorosa da carteira de vacinação, incluindo doses para gestantes, para garantir um desenvolvimento saudável e prevenir doenças futuras.
A infância é um período marcado por descobertas, aprendizado e novas amizades. No entanto, no meio da rotina escolar e das brincadeiras, a saúde da criança exige atenção constante, e não apenas quando surgem sintomas de doenças. Consultas médicas periódicas e exames diagnósticos, quando indicados por um profissional, são fundamentais para acompanhar o desenvolvimento físico. Esses procedimentos ajudam a identificar alterações silenciosas, como o aumento do colesterol, dos triglicérides e alterações na glicose no sangue.
De acordo com a endocrinologista Flávia Pieroni, do grupo Dasa em Minas Gerais, o colesterol elevado e as alterações na glicose não são exclusividade dos adultos. Eles também podem aparecer nas crianças, muitas vezes sem dar nenhum sinal. O perfil lipídico mostra como estão os níveis de colesterol e triglicérides, enquanto a glicemia e a hemoglobina glicada ajudam a avaliar o metabolismo da glicose. São exames que podem trazer informações importantes sobre a saúde da criança, mas isso não significa que todos precisem ser feitos de rotina, explica a médica.
- Exames de rotina podem detectar colesterol e glicose alterados sem sintomas aparentes.
- A Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda a avaliação lipídica entre 9 e 11 anos.
- Hábitos de sono, exercício físico e redução do tempo de tela são essenciais para a saúde.
- A vacinação é um pilar preventivo que começa na gestação e se estende à adolescência.
- Em caso de atraso, não é necessário reiniciar o esquema vacinal, apenas atualizá-lo.
Colesterol alto e a importância da avaliação periódica
O controle do colesterol merece atenção mesmo entre crianças que não apresentam excesso de peso. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, recomenda a avaliação do perfil lipídico (colesterol e gorduras no sangue) entre 9 e 11 anos, independentemente da presença de outros fatores de risco. Quando há histórico familiar de colesterol elevado ou doenças cardiovasculares precoces, essa investigação pode começar antes, conforme orientação médica.
Além das consultas e dos exames laboratoriais, os hábitos dentro de casa fazem toda a diferença. É na rotina da família que as crianças começam a desenvolver sua relação com a alimentação, as atividades físicas e o descanso.
Rotina saudável: movimento, sono e alimentação equilibrada
Flávia Pieroni destaca a importância do ambiente familiar no comportamento da criança. Não adianta cobrar que a criança se movimente mais se ela passa o dia inteiro diante das telas e não encontra oportunidades para brincar. Dormir bem, correr, andar de bicicleta, ter uma alimentação balanceada e passar menos tempo no celular ou na televisão são cuidados que precisam fazer parte da rotina. Quando a família participa, fica mais fácil transformar essas atitudes em hábitos que a criança leva para a vida, orienta a especialista.
Vacinação em dia: proteção desde o nascimento
Outro ponto que merece atenção dos pais é a caderneta de vacinação. Algumas vacinas são aplicadas nos primeiros meses de vida, enquanto outras exigem reforços ou são indicadas em idades específicas. Por isso, é importante acompanhar o calendário vacinal mesmo depois que a criança cresce.
Entre as vacinas importantes na infância, estão as de poliomielite, pneumocócica, tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, e DTP, contra difteria, tétano e coqueluche. Também merecem atenção as vacinas meningocócicas, contra o HPV, indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e contra a gripe, conforme as recomendações do Ministério da Saúde, explica Rosana Richtmann, infectologista do Laboratório Exame.
Ela reforça que a proteção deve continuar ao longo do crescimento, com imunizantes disponíveis gratuitamente na rede pública e outras opções na rede particular. Muitas dessas vacinas são oferecidas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e também estão disponíveis na rede particular, que conta com opções adicionais de proteção. É importante lembrar que a vacinação não termina nos primeiros anos de vida. Há doses e reforços que precisam ser feitos ao longo da infância e da adolescência.
A importância da vacinação para gestantes
A proteção da criança pode começar antes mesmo do nascimento. Durante a gestação, vacinas como a dTpa, contra difteria, tétano e coqueluche, e a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) ajudam a proteger o bebê nos primeiros meses de vida.
A vacinação da gestante permite a transferência de anticorpos para o bebê pela placenta. É uma proteção importante, principalmente contra doenças como a coqueluche e as infecções respiratórias causadas pelo VSR, que podem ser graves nos primeiros meses de vida, explica Rosana Richtmann.
Como regularizar a carteira de vacinação
Se alguma vacina estiver atrasada, a orientação é procurar um serviço de vacinação com a caderneta em mãos. Na maioria dos casos, não é necessário recomeçar o esquema. Um profissional de saúde poderá avaliar quais doses faltam e orientar a atualização conforme a idade e o histórico vacinal da criança.


A proteção das crianças depende também da atenção dos responsáveis às vacinas recomendadas para cada faixa etária (Imagem: PeopleImages | Shutterstock)


