O uso de medicamentos sem orientação médica pode causar reações adversas, interações perigosas e até a criação de superbactérias. Médico destaca cinco erros comuns que devem ser evitados, como aumentar doses, misturar remédios e ignorar sintomas persistentes.
Tomar um analgésico para aliviar a dor, repetir um remédio que funcionou antes ou seguir o conselho da família são ações comuns. No entanto, usar medicamentos sem orientação profissional pode trazer riscos sérios, como reações alérgicas, interações perigosas entre remédios e atraso no diagnóstico de doenças.
O diretor médico da Leve Saúde, Pedro Araguez, alerta que a escolha do medicamento depende das características e do histórico de saúde de cada pessoa. Uma substância que funcionou para um sintoma pode não ser a ideal para outro episódio, mesmo que os sintomas pareçam iguais.
- Repetir tratamentos antigos sem médico pode atrasar o diagnóstico real.
- Aumentar a dose não acelera o efeito e aumenta o risco de intoxicação.
- Misturar remédios, vitaminas e fitoterápicos pode anular efeitos ou causar danos.
- Antibióticos não funcionam contra vírus e seu uso errado gera superbactérias.
- Dores recorrentes ou febre persistente exigem investigação médica imediata.
O perigo da automedicação
A automedicação pode dar a impressão de que o problema está resolvido, mas nem sempre trata a causa do sintoma. Além disso, um medicamento pode provocar efeitos indesejados ou interagir com outras substâncias que a pessoa utiliza. Por isso, é importante buscar orientação profissional antes de iniciar um tratamento, afirma o médico.
Erro 1: Repetir tratamento antigo
Um medicamento que trouxe alívio em outra ocasião pode não ser indicado para um novo episódio. Sintomas semelhantes podem ter causas diferentes. Repetir o tratamento por conta própria pode atrasar a identificação do problema real. Pedro Araguez recomenda procurar orientação profissional para avaliar a necessidade de medicação e escolher o tratamento mais adequado.
Erro 2: Aumentar a dose
Tomar uma quantidade maior do que a recomendada não significa que o medicamento fará efeito mais rapidamente. Pelo contrário, o excesso pode aumentar o risco de intoxicação e de outros efeitos adversos. É importante respeitar as orientações da bula e, nos tratamentos prescritos, seguir a dose e os horários indicados pelo profissional responsável.
Erro 3: Misturar medicamentos
A combinação de diferentes substâncias pode potencializar, diminuir ou anular seus efeitos, além de aumentar o risco de reações adversas. É fundamental informar ao médico ou farmacêutico todos os produtos em uso, incluindo medicamentos isentos de prescrição, vitaminas, suplementos e fitoterápicos.
Erro 4: Uso inadequado de antibióticos
Antibióticos são fármacos para tratar exclusivamente infecções bacterianas, e seu uso requer indicação profissional. Eles não têm nenhum efeito contra vírus (causadores de gripes e resfriados) ou fungos. O uso inadequado e indiscriminado é a principal causa do desenvolvimento de superbactérias (resistência bacteriana), um grave problema de saúde pública que torna infecções comuns mais difíceis e, por vezes, impossíveis de tratar.
Erro 5: Ignorar sintomas persistentes
Segundo Pedro Araguez, o desaparecimento de um sintoma não significa necessariamente que sua causa foi tratada. Sinais como dores recorrentes, febre persistente ou outras manifestações que não melhoram devem ser investigados. Sintomas agudos e graves, como dor no peito, falta de ar, desmaio ou confusão mental, são sinais de alerta que exigem atendimento de urgência imediato, ressalta.
A orientação é buscar ajuda de profissionais de saúde sempre que houver dúvidas sobre a necessidade, a dose ou a combinação de medicamentos. Também é importante manter os produtos nas embalagens originais, conferir a validade e armazená-los conforme as instruções do fabricante.
O uso responsável de medicamentos é parte importante dos cuidados preventivos e contribui para reduzir riscos evitáveis. Em caso de dúvidas, a avaliação individual ajuda a identificar a conduta mais segura para cada situação.


Tomar antibióticos de forma diferente da prescrita pode tornar infecções comuns mais difíceis de tratar (Imagem: BearFotos | Shutterstock)


