26 de outubro de 2026

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Alerta: câncer de intestino cresce entre jovens brasileiros

Saúde Câncer 26/10/2026 12:06 Redação - Hora Campinas horacampinas.com.br

Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) mostra que 2.767 pessoas com menos de 40 anos tiveram câncer de intestino no Brasil entre 2020 e 2023, representando 5,7% dos casos.

Entre 2020 e 2023, 2.767 pessoas com menos de 40 anos tiveram câncer de intestino no Brasil. Isso equivale a 5,7% dos 48.550 casos registrados no período. Se considerarmos pessoas com menos de 50 anos, o número sobe para 7.982, ou 16,4% do total. Os dados são de um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), feito com informações do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) e do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

A morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, no domingo (18), chama atenção para essa realidade. Ela ficou famosa por interpretar Roberta na versão brasileira da novela Rebelde. A artista estava em tratamento contra um câncer de intestino. De acordo com a imprensa, a doença foi descoberta em estágio avançado, e ela decidiu manter o diagnóstico apenas entre familiares e amigos próximos.

  • Entre 2020 e 2023, 2.767 pessoas com menos de 40 anos tiveram câncer de intestino no Brasil, representando 5,7% dos casos.
  • A doença também mata jovens: foram 2.579 mortes por câncer de cólon em pessoas abaixo de 40 anos entre 2020 e 2025.
  • O câncer colorretal é o terceiro tipo mais comum no Brasil, com 53.810 casos esperados por ano entre 2026 e 2028.
  • Sangue nas fezes, dor abdominal e perda de peso sem motivo são sinais de alerta que devem ser investigados.
  • A colonoscopia pode detectar e remover pólipos antes de virarem câncer, e a prevenção inclui alimentação saudável e atividade física.

Embora o câncer de intestino seja mais comum após os 50 anos, os registros mostram que muitos pacientes são diagnosticados mais cedo. Entre 2020 e 2023, 2.083 casos ocorreram em pessoas de 30 a 39 anos, 2.096 em pessoas de 40 a 44 anos e 3.119 em pessoas de 45 a 49 anos. O levantamento considera apenas o câncer de cólon, parte do intestino grosso que absorve água e forma fezes. Não inclui tumores no reto. Os dados vêm de hospitais que participam do registro, públicos e privados, e não representam todos os casos do país.

O impacto entre os jovens também aparece na mortalidade. Segundo a SBCO, com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, o câncer de cólon causou 2.579 mortes em pessoas com menos de 40 anos entre 2020 e 2025. Isso representa 2,9% dos 89.167 óbitos por esse tipo de câncer no período. Entre pessoas com menos de 50 anos, foram 8.466 mortes, ou 9,5% do total. Os dados de 2025 ainda são preliminares.

A maioria das mortes entre jovens ocorreu na faixa de 40 a 49 anos, com 5.887 registros, mais que o dobro do total de mortes em menores de 40 anos. Esses números mostram a importância de reconhecer os sinais da doença antes das idades em que o rastreamento é normalmente feito. Além disso, mostram que o câncer de intestino pode ter consequências graves mesmo em adultos jovens.

O câncer colorretal, que inclui tumores do cólon e do reto, é um dos mais comuns no Brasil. Segundo o INCA, são esperados 53.810 novos casos por ano entre 2026 e 2028. Sem contar os tumores de pele não melanoma, ele é o terceiro tipo de câncer mais diagnosticado no país, tanto em homens quanto em mulheres.

Câncer colorretal em jovens no mundo

No mundo, as estimativas do GLOBOCAN para 2024, da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à OMS, também mostram câncer colorretal em adultos jovens. Entre mulheres com menos de 40 anos, foram estimados 34.609 novos casos (3,5% dos diagnósticos de câncer). Entre homens, foram 37.342 casos (6% do total). Somando, são 71.951 novos diagnósticos em pessoas com menos de 40 anos no mundo.

Se considerar pessoas com menos de 50 anos, o número global é de 209.678 novos casos: 111.522 homens e 98.156 mulheres. Nessa faixa, o câncer colorretal representa 8,6% dos casos de câncer em homens e 4,4% em mulheres. As estimativas mundiais incluem cólon e reto, diferente do levantamento brasileiro que só considera o cólon.

A mortalidade também é alta. Em 2024, o GLOBOCAN estima 62.096 mortes por câncer colorretal em pessoas abaixo de 50 anos: 32.581 homens e 29.515 mulheres. Isso representa 6,7% das mortes por câncer nessa idade em homens e 5,1% em mulheres. Os números mostram o tamanho do problema, embora não mostrem sozinhos se a incidência está aumentando.

O aumento dos diagnósticos em adultos jovens tem sido visto em estudos internacionais, principalmente em países ricos. Um relatório da American Cancer Society, de 2023, mostrou que, em 2019, 20% dos casos de câncer colorretal nos Estados Unidos ocorreram em pessoas com menos de 55 anos, o dobro da proporção de 1995. Isso aumentou o debate sobre prevenção.

Segundo Paulo Henrique de Sousa Fernandes, cirurgião oncológico e presidente da SBCO, prevenção e diagnóstico precoce são essenciais. "O câncer colorretal é um exemplo de como o rastreamento pode salvar vidas. Ao identificar pólipos ou lesões iniciais, podemos intervir cedo e impedir a evolução da doença", diz ele.

Colonoscopia e teste imunoquímico fecal

Muitos tumores colorretais se desenvolvem lentamente, ao longo dos anos, a partir de pólipos, pequenas lesões na parede do intestino que podem virar câncer. A colonoscopia permite identificar e remover essas lesões antes de virarem malignas. O teste imunoquímico fecal (FIT) detecta pequenas quantidades de sangue nas fezes que não são visíveis a olho nu, indicando se é preciso investigar mais.

Em diretrizes internacionais, o rastreamento para quem tem risco comum começa aos 45 anos. No Brasil, as recomendações dependem de diretrizes e estratégias de saúde pública. Quem tem histórico familiar, síndromes hereditárias ou outros fatores de risco pode precisar começar antes.

Fernandes diz que o desafio é não ignorar sintomas só porque o câncer colorretal é mais comum em idosos. Sangue nas fezes, mudanças persistentes no intestino (diarreia ou prisão de ventre), dor abdominal recorrente, anemia sem causa clara e perda de peso sem motivo são sinais de alerta. Eles não significam câncer, mas podem precisar de exames específicos, independentemente da idade.

A importância do estilo de vida

Além de descobrir cedo, a prevenção envolve hábitos de vida. O consumo de carnes processadas, excesso de peso, sedentarismo, tabagismo e bebidas alcoólicas aumentam o risco. Comer fibras, praticar atividade física e manter peso saudável ajudam a reduzir. Mas esses fatores não explicam tudo, pois a doença pode surgir em pessoas sem fatores de risco.

O tratamento depende do local do tumor, da extensão e da saúde do paciente. A cirurgia é fundamental, principalmente quando a doença está localizada. Pode ser feita por técnicas tradicionais ou minimamente invasivas, como videolaparoscopia e cirurgia robótica. Em alguns casos, quimioterapia, radioterapia e outros tratamentos são necessários.


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