A desinformação sobre a vacina tem feito com que a grande maioria dos pais opte por não imunizar seus filhos. Em 2026, a doença já causou milhares de internações e 25 mortes na população infantil, enquanto o Ministério da Saúde afirma ter estoques seguros e suficientes para toda a população.
A covid-19 continua sendo uma ameaça real para a saúde das crianças no Brasil. Em 2026, a doença já causou mais de mil internações e 25 mortes entre crianças e adolescentes. Mesmo com esses dados alarmantes, apenas 5% das crianças pequenas do país estão protegidas com as três doses da vacina, conforme apontado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde.
O diretor do PNI, Eder Gatti, explica que o problema não falta de produto. O governo possui estoques suficientes e contratos para garantir o abastecimento regular. A causa da baixa taxa de vacinação, segundo ele, é a hesitação vacinal alimentada por discursos falsos e ataques às vacinas feitos durante a pandemia, inclusive por autoridades da época.
Dados alarmantes sobre a doença em crianças
A consequência dessa recusa generalizada é trágica. Este ano, mais de 1.100 crianças com menos de 14 anos precisaram ser hospitalizadas devido a quadros respiratórios graves causados pelo coronavírus. Dentre as 25 crianças que faleceram, 15 tinham menos de 2 anos de idade.
Entenda os principais pontos da crise vacinal infantil
- Proteção baixa: Apenas 5% das crianças pequenas estão totalmente imunizadas com as três doses recomendadas.
- Mortes evitáveis: A covid-19 matou 25 crianças em 2026, sendo a maioria bebês de até 2 anos.
- Abastecimento garantido: O Ministério da Saúde afirma que há vacinas suficientes e contratos válidos para todos os municípios.
- Causa da hesitação: Discursos de desinformação e ataques políticos às vacinas durante a pandemia geraram medo infundado nos pais.
- Segurança comprovada: Mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças na pandemia, sem registro de óbitos causados pelo imunizante.
Desinformação e o papel do governo
Em entrevista exclusiva, Eder Gatti destacou que o desafio de vacinar crianças contra a covid-19 é global, causado pela disseminação de informações falsas. Ele ressalta que o governo cumpre seu papel constitucional de comprar e distribuir o imunizante, mas sofre com o desincentivo da população. "Tem que pôr na conta de quem de fato deve. A gente compra as vacinas, distribui e cumpre nossa obrigação constitucional, só que há o desincentivo da população para se vacinar. Inclusive, qualquer vacina de covid que é perdida hoje, a culpa é do discurso antivacina. E essa cifra tem que ser colocada na mesa."


Frasco da vacina Comirnaty JN.1, da Pfizer, indicada para a prevenção da covid-19. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil


