O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o Brasil terá um programa nacional focado no atendimento integral de mulheres na transição e na menopausa. A iniciativa, que faz parte da reorganização do SUS, será desenvolvida com apoio de especialistas da Unicamp e inclui também o uso gratuito de anticoncepcionais de longa duração para reduzir a gravidez na adolescência.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que pretende trabalhar com especialistas do Caism (Centro de Atendimento Integral da Saúde da Mulher) da Unicamp para criar um novo programa nacional. O objetivo principal é oferecer um cuidado específico e de qualidade para as mulheres que estão passando pela transição da menopausa e que já estão na menopausa.
Segundo Padilha, o Caism tem sido um parceiro importante do governo federal em vários projetos. Agora, o centro ajudará a estruturar essa nova frente de cuidado, que visa melhorar a qualidade de vida das mulheres nessa fase da vida.
Resumo do que muda no atendimento
- Foco na menopausa: O novo programa do SUS terá diretrizes específicas para tratar os sintomas e as necessidades das mulheres nessa fase.
- Parceria com Unicamp: Especialistas do Caism (Unicamp) vão ajudar a organizar os protocolos e as práticas clínicas do programa.
- Anticoncepcional gratuito: O implante contraceptivo (Implanon), que custava R$ 5 mil na rede privada, agora é fornecido gratuitamente pelo SUS, ajudando a reduzir a gravidez na adolescência.
- Prevenção do câncer: Foi implementada uma nova técnica de exame Papanicolaou para identificar o vírus do HPV, focada na prevenção do câncer de colo de útero.
- Tecnologia de ponta: Um novo equipamento de tomografia com inteligência artificial foi instalado no Hospital das Clínicas, acelerando o diagnóstico em até 8 vezes.
Padilha destacou que o Caism sempre foi uma referência no país, ajudando o SUS a organizar o cuidado materno-infantil. "O Caism foi sempre uma referência nacional e ajudou o SUS (Sistema Único de Saúde) a organizar o cuidado materno-infantil", disse o ministro. Ele ressaltou que a experiência do centro é valiosa para garantir que o novo programa seja eficaz.
O ministro listou outras contribuições recentes do centro. Ele mencionou a organização dos primeiros estudos no Brasil sobre a nova técnica do Papanicolaou, que melhora a identificação do vírus do HPV para prevenção do câncer de colo de útero. Além disso, o Caism está auxiliando no acompanhamento do uso do Implanon, um anticoncepcional de longa ação.
Impacto na prevenção e na adolescência
Padilha explicou que o acesso gratuito ao Implanon pelo SUS terá um grande impacto social. "Isso terá grande impacto na redução da gravidez na adolescência", avaliou. Antes, esse tipo de implante custava cerca de R$ 5 mil em clínicas privadas, sendo inacessível para a maioria da população de baixa renda. Com a oferta gratuita, o SUS amplia as opções contraceptivas eficazes e de longa duração.
"Agora, convidaremos os professores do Caism para discutir um novo programa voltado a cuidar das mulheres na transição da menopausa e na menopausa medicamentos a serem utilizados, práticas a serem adotadas", contou o ministro. Essa medida faz parte de um plano maior de reorganização do SUS, que será implementado gradualmente ao longo dos próximos quatro anos, buscando melhorar a atenção à saúde da mulher em todas as fases da vida.
Além da saúde da mulher, Padilha visitou a nova área de Medicina Nuclear do Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp na última terça-feira (27). Ele conheceu de perto um equipamento de última geração que usa inteligência artificial para obter imagens detalhadas do corpo.
Tecnologia de imagem rápida e precisa
O novo equipamento, chamado de SPECT/CT-CZT, é o primeiro do seu tipo instalado em um hospital público na América Latina. Ele utiliza detectores de Cádmio-Zinco-Telúrio (CZT), tecnologia considerada a maior revolução na medicina nuclear das últimas décadas. A novidade permite gerar imagens em 3D de alta qualidade, revelando como os órgãos funcionam em tempo real, e não apenas sua estrutura física.
De acordo com a médica Bárbara Juarez Amorim, coordenadora do Serviço de Medicina Nuclear do HC, a tecnologia permite obter as imagens quatro vezes mais rápido do que nos equipamentos antigos. "É um grande ganho. Porque você tem uma detecção mais precisa. Como o exame é mais rápido, aquilo que demorava 2 horas cai para 20 minutos. Você consegue fazer de 4 a 5 pacientes a mais e, com isso, reduz o tempo de espera na fila", afirmou Padilha. Essa agilidade é crucial para aliviar a sobrecarga dos hospitais e garantir que mais pacientes recebam seus diagnósticos com urgência.


Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp


