Dados do SAMU mostram que as ocorrências de suspeita de AVC em pessoas de 20 a 39 anos já superaram o total de 2025 neste ano. Especialistas explicam os sintomas, os tipos de AVC e como prevenir a doença.
Os atendimentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) a pessoas de 20 a 39 anos com suspeita de Acidente Vascular Cerebral (AVC) já ultrapassaram, em Santa Catarina, o total registrado durante todo o ano passado. Até 5 de outubro de 2026, foram contabilizadas 114 ocorrências nessa faixa etária, contra 96 em todo o ano de 2025, uma diferença de 18,7%.
Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) em referência ao Dia Mundial do AVC, celebrado na quinta-feira (29 de outubro). A campanha busca chamar a atenção para os sinais da doença e reforçar que, embora seja mais frequente em pessoas idosas, o AVC também pode atingir adultos jovens.
- Dado principal: 114 chamados do SAMU para jovens de 20 a 39 anos com suspeita de AVC até outubro de 2026.
- Comparativo: O número já superou os 96 registros de todo o ano de 2025.
- Alerta de saúde: A doença não atinge apenas idosos; jovens estão sendo cada vez mais afetados.
- Causa possível: Uso de drogas e pressão alta são fatores de risco relevantes para essa faixa etária.
- Ação imediata: Em caso de suspeita, ligue imediatamente para o 192.
Interpretação dos dados e contexto estatístico
Considerando todas as faixas etárias, o SAMU catarinense registrou 2.656 atendimentos relacionados a suspeitas de AVC até 5 de outubro de 2026, superando os 2.600 contabilizados durante todo o ano de 2025.
Os números comparam um período parcial de 2026 com os 12 meses de 2025. Além disso, representam atendimentos por suspeita da doença, e não necessariamente diagnósticos confirmados.
Mais chamadas ao SAMU não significam, necessariamente, mais casos de AVC
A cardiologista Amanda Souza de Andrade, coordenadora médica da Unidade de Suporte Avançado (USA) do SAMU no Meio-Oeste catarinense, explica que o crescimento dos registros pode estar relacionado à maior circulação de informações sobre a doença.
Com mais pessoas capazes de reconhecer os sintomas, também pode haver um aumento na procura pelo atendimento de emergência, por meio do telefone 192.
Por isso, segundo a especialista, o crescimento dos acionamentos não permite concluir, isoladamente, que houve um aumento equivalente na ocorrência de AVC entre adultos jovens.
Fatores de risco para adultos jovens
A médica destaca que algumas condições podem elevar o risco de AVC independentemente da idade.
Sabemos que o AVC não é uma doença exclusiva de idosos e que alguns fatores podem aumentar o risco independentemente da idade, como diabetes, pressão alta, tabagismo, obesidade, alterações cardíacas congênitas e, mais comumente entre jovens, o uso de drogas ilícitas como cocaína e anfetaminas, explica.
Outro fator que pode provocar AVC em pessoas jovens é a dissecção das artérias cervicais, especialmente das carótidas e vertebrais, responsáveis por levar sangue ao cérebro.
Essa condição pode surgir espontaneamente ou estar associada a traumatismos na região do pescoço, inclusive leves, e a movimentos bruscos.
Essa condição ocorre quando há uma ruptura na camada interna da parede da artéria, permitindo que o sangue penetre entre suas camadas e forme um hematoma na parede do vaso. Isso pode causar estreitamento ou oclusão da artéria e favorecer a formação de trombos, que podem obstruir a circulação cerebral e provocar um AVC isquêmico, detalha Amanda.
AVC isquêmico e hemorrágico: entenda a diferença
Segundo o Ministério da Saúde, existem dois tipos principais de Acidente Vascular Cerebral.
O AVC isquêmico é o mais frequente, responsável por aproximadamente 85% dos casos. Ele ocorre quando há obstrução de um vaso sanguíneo, prejudicando a circulação de sangue em determinada região do cérebro.
Já o AVC hemorrágico, que representa cerca de 15% dos casos, acontece quando um vaso sanguíneo cerebral se rompe, provocando sangramento dentro do cérebro ou no espaço entre o órgão e a meninge.
Embora menos frequente, o AVC hemorrágico pode apresentar maior risco de morte.
Quais são os sinais de alerta para um AVC
A Secretaria de Estado da Saúde orienta que a população fique atenta a alterações neurológicas que surgem repentinamente.
Entre os principais sintomas estão:
- Alteração súbita na fala, dificuldade para falar ou compreender o que outras pessoas dizem;
- Perda de força ou dificuldade para movimentar um lado do corpo;
- Boca torta, com assimetria facial;
- Perda de equilíbrio ou outros sintomas neurológicos repentinos.
Diante de qualquer suspeita, a orientação é ligar imediatamente para o SAMU, pelo telefone 192.
O AVC é uma emergência médica em que o tempo de atendimento pode influenciar diretamente as possibilidades de tratamento e recuperação.
Quando ocorre um AVC, o fluxo sanguíneo para o cérebro é interrompido, por isso, à medida que o tempo passa, as células cerebrais vão sendo danificadas ou morrem. Por isso, quanto mais rápido o socorro chegar, maiores são as chances de reverter o quadro, evitar sequelas graves (como perda de movimentos, fala ou memória) ou até a morte, explica a cardiologista.
Outra orientação importante é anotar o horário em que os sintomas começaram ou, caso isso não seja possível, a última vez em que a pessoa foi vista sem alterações. Essa informação deve ser repassada à equipe de socorro, pois auxilia na avaliação das possibilidades de tratamento.
Como reduzir o risco de AVC
A prevenção envolve o controle de fatores de risco e a adoção de hábitos saudáveis.
Entre as medidas recomendadas pela médica estão o acompanhamento da pressão arterial e do colesterol, a manutenção de uma alimentação equilibrada, o controle do peso e a prática regular de atividade física.
A orientação é realizar pelo menos 150 minutos de atividade física por semana, além de evitar o tabagismo e o uso de drogas.
A Secretaria de Estado da Saúde reforça que o reconhecimento dos sintomas e o acionamento imediato do atendimento de emergência são fundamentais, independentemente da idade da pessoa que apresenta os sinais.


Suspeitas de AVC entre adultos de 20 a 39 anos já superam registros de todo 2025 em Santa Catarina (Foto: Arquivo SecomGOVSC)


