06 de novembro de 2026

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Brasil deve registrar 860 mil casos de dengue em 2027, aponta estudo

Saúde Dengue 06/11/2026 20:54 Redação Hora Campinas horacampinas.com.br

Especialistas de oito países preveem que o Brasil terá cerca de 860 mil casos prováveis de dengue em 2027. O cenário inclui também previsão de aumento de casos de Chikungunya, com mais de 90 mil infectados.

O Brasil pode contabilizar 860 mil casos prováveis de dengue em 2027. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) durante o webinário Preparação para a temporada de dengue 2027. O evento foi promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fundação Getulio Vargas (FGV), Mosqlimate e InfoDengue, entre outras instituições.

As previsões para 2027 indicam um cenário semelhante ao observado em 2025 e 2026, apesar da expectativa de um fenômeno de El Niño de intensidade alta no verão. Esta é a conclusão de um relatório elaborado por 130 especialistas de oito países, representando diversas instituições, destinado ao Ministério da Saúde.

  • A previsão estima cerca de 860 mil casos de dengue, com variação entre 560 mil e 1,6 milhão.
  • O pico de infecções deve ocorrer em abril de 2027, com 40 mil casos semanais.
  • A Chikungunya também é alvo de projeções, com mais de 90 mil casos esperados.
  • Estados como Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul devem ter aumento de casos.
  • O super El Niño é considerado um gatilho de contingência, mas não base quantitativa única.

Em 2026, as análises passaram a incluir também as projeções de Chikungunya para os estados brasileiros. Assim como a dengue, a Chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e pode provocar febre e dores intensas nas articulações.

Como funcionam as previsões de dengue

As projeções têm origem no Desafio de Previsão de Dengue InfoDengueMosqlimate (IMDC). Esse grupo reúne pesquisadores de diferentes países para projetar, de forma aberta e comparável, a evolução da dengue no Brasil. Todas as equipes utilizam os mesmos dados e seguem as mesmas regras. Neste ano, a terceira edição do desafio reuniu 27 equipes de oito países.

O modelo conjunto tende a ser mais confiável do que qualquer modelo isolado. Em três edições, o desafio cresceu de um punhado de equipes para uma comunidade global que trabalha de forma aberta para transformar dados de dengue em previsões que gestores de saúde pública possam realmente usar, avalia o pesquisador da FGV e do Mosqlimate, Flávio C. Coelho.

Projeções de números e incerteza

O conjunto de análises reúne 22 modelos desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores. Para o próximo período, o modelo estima um total de cerca de 860 mil casos, com um intervalo de incerteza de 80% entre 560 mil e 1,6 milhão de casos. O ponto máximo da curva deve chegar a 40 mil casos em abril de 2027.

Esse cenário é idêntico ao dos últimos anos, mas não significa tranquilidade. A dengue é endêmica no Brasil e, em 2025, o país registrou cerca de 1,66 milhão de casos prováveis, de acordo com o Ministério da Saúde.

As projeções não apontam uma epidemia como a de 2024 [ano com um aumento atípico de casos], mas indicam que a dengue continuará exigindo atenção. É o momento de organizar a rede e intensificar a prevenção, afirma a pesquisadora da Fiocruz e coordenadora do InfoDengue, Claudia Codeço.

Neste ano, três modelos utilizam variáveis climáticas em suas projeções, mas apresentam divergências entre si, tanto na magnitude do efeito quanto na distribuição geográfica deles. Essa variabilidade mostra que o El Niño tem um efeito multiplicador incerto. Por isso, ele deve entrar no planejamento como gatilho de contingência e exigência de acompanhamento com modelos de curto prazo, e não como base quantitativa única.

O modelo indica tendência de aumento dos casos prováveis de dengue, em relação à temporada anterior, nos estados do Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais. Para os outros estados, o cenário projetado é próximo ou inferior ao da temporada anterior. Mesmo assim, todos os estados devem manter a vigilância epidemiológica, já que um super El Niño pode favorecer condições climáticas associadas a uma transmissão mais intensa em algumas regiões.

Previsão para Chikungunya

Os pesquisadores também projetam a temporada de Chikungunya, a partir de 11 modelos. A projeção indica mais de 90 mil casos prováveis no país. Como comparação, na temporada de 2024-25, foram registrados 127 mil casos da doença. Em 2025-26, foram registrados 76 mil casos.

Na região Nordeste, a previsão é de aumento de casos prováveis, principalmente nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba, Sergipe e Piauí. O aumento também é esperado nos três estados da Região Sul, no Sudeste em São Paulo, e na região Centro-oeste, no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul, estado com maior incidência da doença no país.

Nos demais estados, o cenário é próximo ao da temporada anterior. De acordo com os especialistas, o Espírito Santo não entrou nas projeções por inconsistências nos dados de notificação de casos.

Importância da prevenção

A prevenção continua sendo a principal forma de reduzir os casos de dengue e de Chikungunya. As orientações são eliminar água parada em vasos, pneus, calhas e recipientes, e procurar atendimento ao primeiro sinal de febre, dor no corpo ou manchas na pele. Para os pesquisadores, as projeções não substituem a vigilância de rotina, mas ajudam gestores a se antecipar.


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