O governo dos Estados Unidos ordenou que agências federais retirem imediatamente a inteligência artificial da empresa chinesa DeepSeek. A medida, motivada por riscos de segurança nacional e espionagem, proíbe o uso da tecnologia e novas contratações, intensificando a guerra tecnológica entre as duas maiores potências do mundo.
O governo dos Estados Unidos determinou que as agências federais civis retirem de seus sistemas todos os produtos e serviços desenvolvidos pela empresa chinesa de inteligência artificial DeepSeek. A nova medida também proíbe a contratação de novas soluções da companhia por órgãos abrangidos pela decisão, sinalizando um endurecimento nas relações tecnológicas entre as duas potências.
A ordem foi publicada na terça-feira (20) pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS). A principal justificativa para a proibição são os possíveis riscos à segurança nacional e à proteção de informações governamentais sensíveis. Veja os pontos centrais desta decisão:
- O governo americano teme que dados de funcionários públicos caiam em mãos chinesas.
- A DeepSeek é proibida de vender serviços diretamente ou através de terceiros.
- A China criticou a medida, chamando-a de politização da tecnologia.
- A decisão ocorre em meio a acusações de roubo de tecnologia por parte de empresas chinesas.
- A DeepSeek ganhou fama por oferecer IA de baixo custo e alto desempenho.
Preocupações com a segurança dos dados
Segundo as autoridades americanas, existem sérias preocupações sobre a maneira como a DeepSeek armazena e administra os dados dos usuários. O receio é que informações sensíveis de funcionários e instituições públicas possam ficar acessíveis às autoridades chinesas, em razão da legislação do país asiático, que pode obrigar empresas locais a compartilhar dados com o governo.
A proibição não se limita aos aplicativos e serviços oferecidos diretamente pela DeepSeek. A medida também abrange produtos de terceiros que utilizam tecnologias desenvolvidas pela empresa chinesa, fechando as portas para qualquer tipo de integração com a plataforma.
China reage e defende suas empresas
O anúncio provocou uma reação imediata do governo chinês, que criticou as restrições impostas pelos Estados Unidos. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que Pequim se opõe à ampliação do conceito de segurança nacional para justificar medidas contra empresas de tecnologia.
Segundo Mao Ning, o governo chinês é contrário à "extrapolação do conceito de segurança nacional e à politização de questões tecnológicas e comerciais". A representante diplomática garantiu: "Defenderemos de forma resoluta os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas".
A ascensão da DeepSeek no mercado global
A nova restrição ocorre em meio à crescente disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, especialmente no desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial. A DeepSeek ganhou projeção internacional em janeiro de 2025, quando apresentou um modelo de IA que chamou a atenção do setor por oferecer desempenho competitivo com custos de desenvolvimento e operação relativamente baixos.
O lançamento provocou forte repercussão no mercado financeiro e colocou a startup entre as principais empresas chinesas do setor, desafiando as gigantes americanas que tradicionalmente dominavam o mercado de IA.
Acusações de roubo de tecnologia
Além das preocupações com a segurança de dados, o governo americano tem acusado empresas chinesas de utilizar técnicas para reproduzir capacidades de modelos de inteligência artificial desenvolvidos nos Estados Unidos. Em abril, o conselheiro de tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que entidades estrangeiras, principalmente da China, estariam realizando operações em larga escala para obter informações de sistemas americanos.
"Os Estados Unidos têm provas de que entidades estrangeiras, principalmente na China, estão conduzindo campanhas de 'destilação' em escala industrial para roubar a IA americana", escreveu Kratsios na rede social X. A chamada destilação é uma técnica que permite treinar um modelo a partir das respostas produzidas por outro sistema mais avançado. Embora possa ser legítima, seu uso sem autorização pode violar contratos e direitos de propriedade intelectual.
Em fevereiro, a empresa americana Anthropic também acusou três laboratórios chineses, DeepSeek, Moonshot AI e MiniMax, de criar mais de 24 mil contas fraudulentas para gerar aproximadamente 16 milhões de interações com o Claude, seu modelo de inteligência artificial. Segundo a companhia, o objetivo seria reproduzir parte das capacidades do sistema.
Ainda em fevereiro, a OpenAI apresentou ao Congresso americano acusações semelhantes contra a DeepSeek, alegando que a empresa chinesa teria utilizado técnicas de destilação não autorizadas para aproveitar recursos de seus modelos de inteligência artificial.


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